O que é isto a filosofia? na América Latina: uma leitura desde a marginalização e a barbárie e o processo de libertação Bruno Reikdal Lima Mestrando pela Universidade Federal do ABC Orientador: Prof. Dr. Daniel Pansarelli XII Seminário dos Estudantes de Pós-Graduação em Filosofia da UFSCar Introdução Desde o início, é necessário (e honesto) que deixemos clara nossa posição: pretendemos provocar a defesa de uma filosofia latino-americana. Assim, tomaremos uma conferência de Martin Heidegger e um texto de Leopoldo Zea 1 para contrastar o modo como cada filósofo reconstitui a história do logos. Não temos a pretensão de dar conta da obra ou de todo o sistema filosófico de cada um dos filósofos, mas tomar suas propostas sobre o logos e a filosofia nestes trabalhos específicos como “tipos” que nos permitem ilustrar ou estabelecer o que nas filosofias latino-americanas é chamado de “filosofia de centro” e “filosofia de periferia” 2 . É importante alertar que em nosso trabalho lançaremos mão das notas de roda pé para indicar bibliografias, aprofundar discussões e problematizar questões, arriscando certas digressões em determinados momentos. Optamos por esta estratégia argumentativa devido ao caráter sumário de nossa exposição e para tornar mais claro e corrido a exposição de nosso tema central. 1 Como utilizaremos de cada um destes autores (Heidegger e Zea) apenas um texto, utilizaremos uma citação simples, com seus nomes e página. Ex.: “(HEIDEGGER, p. 1)” ou “(ZEA, p. 1)”. Outros autores e bibliografia serão citados de acordo com as normas formais vigentes. 2 A determinação da distinção entre filosofia de centro e de periferia se constitui a partir da história da exploração e colonização, da relação geo-política-econômica entre Europa e Ameríndia: "Pela Espanha, a Europa começa a ser 'centro' de sua primeira periferia colonial. Estaríamos no ‘Império -mundo’ (World- Empire) [...]. Correlativo aos impérios [...] foram nascendo colônias que os impérios indicados organizaram na periferia, no Sul" (DUSSEL: 2007, p. 200). Como explica Daniel Pansarelli, as discussões a respeito de filosofias periféricas como de libertação, latino-americana, africana, asiática, pós-colonial, descolonial e outras são fruto das transformações geopolíticas que “vem tendo espaço no cenário internacional desde o final do século XX e permanece no início do século XXI. O aumento da importância dos países com economias chamadas em desenvolvimento e a união mais programática destes países como forma de fazer frente ao bloco constituído pelas nações detentoras das maiores economias mundiais, são alguns dos sinais desta reorganização das relações internacionais” (2013, p. 19).