1 Impactos e Dilemas da Adoção de um Sistema de Cotas na UFPR Liliana Porto 1 Paulo Vinícius Silva 2 Marilene Otani 3 1. O processo de implementação do sistema As discussões em torno da implantação de um programa de ações afirmativas na Universidade Federal do Paraná iniciaram-se em abril de 2001, a partir de seminário promovido pela Pró-Reitoria de Extensão e Cultura. Em junho de 2002, o então reitor nomeou Comissão vinculada ao Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão para organização de propostas com vistas ao vestibular de 2003 entrada em 2004. Após um ano, contudo, a comissão de conselheiros havia produzido pouco. Foi criada nova comissão, formada por professores(as), funcionárias e alunos que desenvolviam suas pesquisas e reflexões em torno da temática racial. Entre junho e agosto de 2003, esta segunda comissão elaborou uma versão preliminar de proposta de plano de metas, a ser discutida com os Conselhos Setoriais e posteriormente avaliada pelo Conselho Universitário. De agosto a dezembro de 2003, os membros da comissão debateram a citada proposta com todos os doze Conselhos Setoriais (órgãos legislativos dos Setores Faculdades), com o Conselho da Escola Técnica UFPR e com o Diretório Central dos Estudantes. As entidades representativas de técnicos(as) e de professores(as) 4 não atenderam aos pedidos de co-organizarem eventos para discussão, restringindo-se portanto a discussão com estas categorias a sua representação nos Conselhos. Nos meses de janeiro e fevereiro de 2004, levando em conta os debates precedentes, a comissão redigiu relatório e o apresentou à Reitoria, que levou o tema e a proposta de Plano de Metas, já aprimorada, ao Conselho Universitário. Contendo algumas modificações em relação à proposta inicial apresentada pela comissão (que tinha como foco as ações afirmativas para negros), a implantação do sistema de cotas na UFPR se deu a partir do estabelecimento e aprovação do Plano de Metas de Inclusão Racial e Social pelo Conselho Universitário, ocorridos em 10 de maio de 2004 (Resolução n. 37/04 do COUN). Segundo o Art. 1º. desta resolução, são reservadas 20% 1 Professora Adjunto de Antropologia da UFPR, membro do NEAB/UFPR (Núcleo de Estudos Afro- Brasileiros) e coordenadora de grupo de pesquisa sobre ações afirmativas na universidade no interior do Convênio UFSCar/UFPR. 2 Professor Adjunto de Educação da UFPR, presidente do NEAB/UFPR (Núcleo de Estudos Afro- Brasileiros) e coordenador do Convênio UFSCar/UFPR. 3 Estudante do Curso de Ciências Sociais da UFPR e bolsista de Convênio UFPR/UFSCar para pesquisa na área de ações afirmativas. 4 A paritr deste ponto será adotado o genérico masculino, como forma de aliviar o texto.