Revista Eletrônica do Programa de Pós-Graduação em Museologia e Patrimônio – PPG-PMUS Unirio | MAST 63 Artigo Cultura Imaterial e Educação Patrimonial: Notas sobre Museus e o Valor Educativo do Patrimônio Intangível Rebeca Campos Ferreira* 1 Introdução trazer para o espaço do museu a vivência das manifestações culturais é uma importante ação educativa a ser implementada pelas instituições museológicas (…). Isso nos leva a concluir que o grande valor intangível do patrimônio cultural apresentado em museus é se constituir em territórios favoráveis à percepção de inclusão cultural e de identidades (CABRAL, 2004, p. 58). Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem: I - as formas de expressão; II - os modos de criar, fazer e viver; III - as criações cientíicas, artísticas e tecnológicas; IV - as obras, objetos, documentos, ediicações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais; V - os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e cientíico (BRASIL,1988). No âmbito da importância do patrimônio cultural e da memória social, proissionais e instituições voltam suas atenções não só para a preservação, mas também no sentido de fazer desse patrimônio um campo de conhecimento a ser difundido. A atuação voltada à metodologia da Educação Patrimonial faz-se presente nos debates acerca da temática, sendo este o assunto do presente ensaio, que pretende ainda reletir acerca dos escritos reunidos no Caderno do Museu da Vida, dos anos de 2001 e 2002 (MUSEU DA VIDA..., 2001- 2002), no seio de uma relexão que toma o valor educativo do patrimônio intangível. As diversas formas de patrimônio reiteram a diversidade cultural brasileira, que ganham cena no âmbito de ações voltadas às valorizações culturais. Porém, se trata da cultura material em um primeiro momento; a cultura imaterial, embora já reconhecida desde a Constituição da República de 1988 (CF-88), em seu Artigo 216 (BRASIL, 1988), passa a ocupar o cenário de forma mais efetiva somente na última década. A política patrimonial brasileira, que deixara de fora os principais atores por diversas ocasiões no passado, burocratizando o próprio processo de valorização e tornando-o artiicial, imposto e exterior, tal como ocorrera, por exemplo, no Centro Histórico do Pelourinho nas décadas de 1980 e 1990 (COLLINS, 2004), volta-se à cultura intangível brasileira, em iniciativas que visam a inserção e conscientização daqueles que são parte; faz-se então necessário reletir acerca do papel da educação patrimonial nesse sentido especiico. Toma-se a sociedade como agente no reconhecimento e defesa desse patrimônio * Universidade de São Paulo; Mestranda em Antropologia Social - PPGAS, Bolsista (FAPESP).