Publicação do Departamento de História e Geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte Centro de Ensino Superior do Seridó – Campus de Caicó. V. 07. N. 18, out./nov. de 2005 – Semestral ISSN 15183394 Disponível em www.cerescaico.ufrn.br/mneme 382 AS ROUPAS DE CRIOULA NO SÉCULO XIX E O TRAJE DE BECA NA CONTEMPORANEIDADE: SÍMBOLOS DE IDENTIDADE E MEMÓRIA Juliana Monteiro e Luzia Gomes Ferreira e-mails: reju@uol.com.br / ayeomi@yahoo.com.br Graduandas em Museologia - UFBA / Bolsistas de Iniciação Científica – PIBIC/CNPq Joseania Miranda Freitas Professora do Departamento de Museologia, UFBA e-mail: joseania.freitas@uol.com.br Resumo As roupas, nas diversas sociedades, além de protegerem o corpo e destacarem a beleza, estabelecem hierarquias, tornam-se símbolos identitários, por meio dos quais é possível refletir sobre os valores sócio-culturais de determinados grupos. Partindo desse pressuposto, pode-se afirmar que a roupa de crioula, no século XIX, e o traje de beca, ainda utilizado na contemporaneidade pela Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, em Cachoeira – BA, são roupas impregnadas de significados, por meio das quais se compreendem valores sócio-culturais. Essas roupas, como representativas de uma identidade afro-brasileira, possuem elementos de uma visualidade específica num contexto sócio-histórico, no qual o modo de vestir-se implicava em uma marca ou numa representação material da posição hierárquica ocupada pela pessoa dentro de uma estrutura social caracterizada pelo patriarcalismo, sexismo e escravidão. O traje de beca marcava a diferença entre as mulheres negras e brancas na sociedade colonial. Distinguia, também, as negras entre si, pois, fossem elas escravas, libertas ou alforriadas nem todas possuíam um traje de