LEGADOS DO BOAL. NOVAS FORMAS DE ATIVISMO NAS ARTES CONTEMPORÂNEAS. ALESSANDRA VANNUCCI 79 A fama do Boal consagrou-se na militância internacional da década de 70, com o livro Teatro do Oprimido e outras estéticas políticas, traduzido em várias línguas, escrito quando o diretor buscava caminhos experimentais na prática de um teatro que, mesmo mantendo o engajamento, superava modalidades características da produção “politizada” da década de 60, especialmente no Teatro de Arena e no CPC da UNE. Ao invés disso, Boal começou a enten- der seu trabalho teatral como uma produção e multiplicação de ferramentas à disposição da luta política. A escrita de livros e peças de forte cunho auto- biográico (como Torquemada, 1971) acionou a opção por táticas de combate não violento: alternativas essenciais – neste momento da vida do Boal – à pegada em armas contra regimes totalitários, primeiramente contra a ditadu- ra militar que o aprisionou, torturou e exilou em 1971-72. Ao invés que um repertório de obras, Boal começou a acumular um acervo de técnicas teatrais; propriamente, um arsenal de armas para a resistência e luta dos oprimidos, conhecido como arsenal do Teatro do Oprimido, que foi agregando novas técnicas e variantes durante o exílio do Boal em países da América Latina e da Europa, em contato com diversos modos de opressão. Assim como a Pedago- gia dos Oprimidos do compatriota Paulo Freire, também exilado nesta altura, a metodologia do TO se fundamenta na compreensão de que os processos de socialização humana (tais como instrução, informação, institucionaliza- ção) incorporam condutas e normas induzidas ou impostas por dispositivos hegemônicos (tais como a escola, a mídia, o estado) que tendem a inibir a subjetividade e a mecanizar os corpos. A arte surge como um possível contra Circulação restrita-para verificação dos organizadores