273 ILHA v. 19, n. 1, p. 273-279, junho de 2017 Resenhas HAYES, Patricia; HONWANA, Luís Bernardo; MOTA LOPES, José; SAÚTE, Nelson; SILVA, Raul Calane da; THOMPSON, Drew. Ricardo Rangel: insubmisso e generoso. Maputo: Marimbique, 2014. (Imagem como Memória: fotografia e história em Moçambique) Bruna Nunes da Costa Triana Universidade de São Paulo E-mail: brunatriana@usp.br D e que forma recordar e, ao mesmo tempo, prestar homenagem às grandes personalidades da história nacional moçambicana sem, no entanto, monumentalizar o passado? Que memória é possível acessar por meio das trajetórias pessoais e sociais de seus principais atores e do legado de suas produções? A obra Ricardo Rangel: insubmisso e generoso, publicada em 2014, pela editora moçambicana Marimbique, coloca essas questões de maneira bastante atual. Resultado do “Projeto Ricardo Rangel”, iniciativa do Centro Cultural Kulungwana, cujo intento foi divulgar e estudar a obra do fotógrafo a partir de uma perspectiva interdisciplinar, o livro traz em detalhes os debates e as reflexões levadas a cabo pelo projeto, com artigos memorialísticos e acadêmicos sobre a vida e a obra do fotógrafo Ricardo Rangel. Antes de tudo, é necessário enquadrar essa personagem do imaginário nacional moçambicano em um contexto mais amplo de sua vida e atuação. Sua trajetória é abordada em quase todos os textos que compõem a coletânea; todavia, vale ressaltar alguns elementos que servem de pano de fundo para a composição das análises. Ricardo Rangel nasceu em 1924, em Lourenço Marques, hoje Maputo. Mestiço, viveu entre a “cidade de caniço” (negra) e a “cidade de cimento” (branca). Iniciou sua relação com a fotografia em meados dos anos DOI: http://dx.doi.org/10.5007/2175-8034.2017v19n1p273