O QUE É VIOLÊNCIA SIMBÓLICA Marcelo Bolshaw Gomes 1 MaŶda Ƌueŵ pode, oďedeĐe Ƌueŵ teŵ juízo. “ou ƌespoŶsável pelo Ƌue falo, Ŷão pelo Ƌue voĐê esĐuta. 1. O perigo da imprecisão Há uma imprecisão significativa ƋuaŶdo se fala de violġŶĐia siŵďóliĐa . A noção foi elaborada pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu em diferentes contextos e em váriaspartesde sua extensa obra, e, nos últimos anos, caiu no senso comum, sendo bastante utilizada pelos movimentos feministas e étnicos. Paradoxalmente, uma das de fiŶições de violġŶĐia siŵďóliĐa é justamente a que a vê como uma coerção naturalizada, considerada legítima por parte dos que a sofrem. A violência simbólica sobre os corpos seria exercida sem coação física, mas com danos psicológicos e morais. Ela é invisível, consentida, ritualizada como algo comum,comoalgo comum que faz parte da vida e de sua lógica intrínseca. Devido sua imprecisão, a noção de violência simbólica foi criticada por outros pensadores importantes como Michel Foucault e Jürgen Habermas. Foucault consideraque toda violência física em si é simbólica, e vice-versa; e Habermas, considera que o físico é exterior ao simbólico e que a noção é apenas uma metáfora, ou uma duplicação da verdadeira violência. Tais críticas, no entanto, longe de desqualificar a noção de Bourdieu apontam para o fato de que a violência simbólica ocupa um espaço intermediário que escapa aos seus críticos, uma interseção preciosa entre o real e o simbólico. 1 Professor do Programa de Pós-graduação em Estudos da Mídia da UFRN.