Interfaces entre Design e Humanidades Digitais frente ao desafio de explorar e visualizar grandes arquivos de imagens. Interfaces between Design and Digital Humanities face the challenge of exploring and visualizing large-scale image archives. Júlia R. Giannella 1 Resumo. Este trabalho delineia considerações iniciais de uma pesquisa mais ampla, em andamento, que busca refletir sobre as possibilidades oferecidas pelo campo do Design na concepção de interfaces gráficas do usuário para navegação exploratória em grandes arquivos de imagens. Para tal, discutimos a presença de visualizações, interfaces e técnicas de análise visual em trabalhos provenientes de duas abordagens distintas, mas não excludentes: Computação Social e Humanidades Digitais. Concluímos apontando oportunidades para maior integração entre práticas de Design e técnicas computacionais para análise de imagem em pesquisas em Humanidades Digitais que envolvam arquivos imagéticos. Abstract. This work outlines initial considerations of a broader and ongoing research that seeks to reflect on the possibilities offered by the field of Design in the conception of graphical user interfaces for exploratory navigation in large-scale image archives. For this, we discuss the use of visualizations, interfaces and visual analysis techniques in works from different but not excluding approaches: Social Computing and Digital Humanities. We conclude by pointing out opportunities for greater integration between Design practices and computational techniques for image analysis in researches in Digital Humanities involving big visual data. 1. Introdução A disponibilização de arquivos de imagens na web acompanhadas de seus metadados, 2 paralelamente ao crescente avanço de técnicas para analisar computacionalmente este vasto acervo de artefatos a fim de extrair features visuais constituem oportunidades para refletir-se sobre modos multidimensionais de organizar e visualizar arquivos imagéticos. No entanto, contrastando com a abundância de imagens, interfaces gráficas do usuário (abreviadamente o acrônimo GUI, do inglês Graphical User Interface) para acesso aos acervos, quando 1 Júlia R. Giannella é doutoranda em Design no PPDESDI-UERJ e assistente de pesquisa no Laboratório de Visão e Computação Gráfica (Visgraf-IMPA). <juliagiannella@gmail.com>. 2 Há na literatura uma discussão sobre o que é considerado "prática de coleção" (WATKINS et al., 2015). Dessa discussão emergem expressões como "coleção cultural" e "coleção digital" que, geralmente, são reservadas para designar coleções mantidas por instituições culturais (museus, bibliotecas, fundações, etc.). Para evitar confusões conceituais, adotaremos, neste artigo, o termo "coleção" para designar especificamente conjuntos de imagens digitalizadas de instituições culturais e os termos "arquivo" e "acervo" para conjuntos de imagens de todas naturezas, inclusive imagens compartilhadas em redes sociais. 1