Mudanças metodológicas e desafios na medição da liberdade de informação. Uma análise dos índices Repórteres Sem Fronteiras e Freedom House Ruth de Frutos & Diego Giannone Resumo O artigo analisa os principais desaios metodológicos colocados pelos dois indicadores mais importantes para medir a liberdade de imprensa no mundo. Freedom House (FH) e Repór- teres Sem Fronteiras (RSF) tornaram-se referência para estudos que vão além da liberdade de imprensa, e sua importância nos obriga a analisar os aspetos metodológicos que determinam essas metodologias e que são omitidos. Os resultados deste estudo, ao analisar-se a avaliação dos países latino-americanos nos índices RSF e FH, nos permitem determinar que esses instru- mentos apresentam graves deiciências metodológicas que, embora se tenham tentado corrigir, continuam a ser fonte de inúmeras controvérsias, como a ausência de mecanismos de proteção dos jornalistas em seus instrumentos de medição. Palavras-chave Indicadores; liberdade de imprensa; Freedom House; metodologia, Repórteres Sem Fronteiras Abstract The article analyses the main methodological challenges of the two most important indi- cators in measuring freedom of the press around the world. Freedom House (FH) and Reporters Without Borders (RWB) have become references for studies that go beyond freedom of the press and their importance forces us to analyze what the methodological aspects are that determined these methodologies and which are omitted. The results of this study make it possible to de- termine that the indicators of Reporters Without Borders and Freedom House present serious methodological deiciencies that, although they have tried to correct, continue to be the source of numerous controversies, such as the absence of mechanisms to protect journalists in their measurement instruments. Keywords Indicators; freedom of information; Freedom House; methodology; Reporters Without Borders Introdução Desde a década de 1980, houve um crescimento exponencial de índices destinados a medir o desempenho de um Estado. Questões como liberdade econômica, competitivi- dade, ambiente de negócios, idoneidade creditícia, democracia, corrupção e transparên- cia tornaram-se temas centrais de vários benchmarks globais produzidos por instituições internacionais, organizações governamentais e não-governamentais e atores privados. Comunicação e Sociedade, vol. 33, 2018, pp. 271 – 290 doi: 10.17231/comsoc.33(2018).2917