Figura: Studies on the Classical Tradition Figura: Stud. Class. Tradit. Campinas, SP v. 6 n. 1 pp. 33-67 jan.-jun. 2018 [33] O gênio e o copiador de cavalos ou Almeida Reis e Chaves Pinheiro: Originalidade e cópia na escultura brasileira oitocentista Alberto Martín Chillón 1 Submetido em: 15/03/2018 Aceito em: 02/05/2018 Publicado em: 15/06/2018 Resumo Sob os qualificativos “gênio” e “copiador de cavalos” se encontram dois dos principais escultores cariocas do século XIX, Cândido Caetano de Almeida Reis e Francisco Manuel Chaves Pinheiro, os dois polos em torno dos quais se tem entendido a escultura oitocentista: a produção acadêmica como simples cópia e as propostas “modernas” que tentavam modificar o fazer acadêmico. No presente artigo tentamos entender como este binômio acadêmico/moderno ou cópia/originalidade tem moldado o entendimento da escultura, analisando as construções historiográficas, os silêncios e escolhas que privilegiam a personalidade do artista, a criação individual como elemento moderno. Trata-se de um discurso muito mais baseado na historiografia que no conhecimento e na observação direta das obras destes artistas, dispersa e em muitos casos desconhecida, contemplada sob o termo genérico e redutor de acadêmico, que elimina qualquer tipo de individualidade. Palavras-chave: Escultura; Arte brasileira; Século XIX; Historiografia; Academismo. Abstract The “genius” and the “horse copier” are the two main nineteenth century 1 Docente da Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Este artigo tem sido financiado pela Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro, FAPERJ, através do edital de pós-doutorado nota 10, processo E-26/202.368/2017.