Instagrafite: de memória subterrânea a patrimônio digital Marina Leitão Damin 1 Sarah Luna 2 Resumo De rabisco marginal ao status de arte, o grafite percorreu um longo caminho. Com o auxílio das redes sociais, novos artistas de street art apresentam seus trabalhos - antes restritos ao espaço urbano em que se encontravam - no ciberespaço. Não é mais necessário viajar para a Inglaterra com a finalidade de conhecer o trabalho de Banksy, pois ele está agora a um clique de distância. Este artigo apresenta o ciberespaço como um lugar de memória, conceito discutido por Pierre Nora (1993), e traz o estudo de caso Instagrafite para trabalhar duas frentes, interligadas. A primeira relaciona o conceito de memória subterrânea de Pollak com a eclosão do grafite. A segunda sugere que o perfil do Instagrafite na rede social Instagram pode se tornar, com o afloramento, trânsito e armazenamento dessas memórias subterrâneas no ciberespaço, um patrimônio digital. Palavras-chave: memória, patrimônio digital, grafite, memória subterrânea, lugares de memória. Introdução Ao usar o muro das cidades como suporte, o grafite mudou a estética dos grandes centros urbanos e fez emergir uma cultura antes restrita às áreas mais pobres. Os grafiteiros eram uma minoria marginalizada e o que faziam era considerado pichação. A internet e, principalmente, as redes sociais proporcionaram que diversas minorias tivessem a possibilidade de fala e de reverberação de seus discursos. A street art e, especificamente o grafite, entraram nessa confluência ao trazer para o ciberespaço o que estava anteriormente restrito ao espaço urbano. A barreira já não é mais geográfica ou linguística porque é a imagem que vem para dar o recado do artista, neste mundo contemporâneo e conectado. Podemos pensar a internet, espaço virtual no qual estão inseridas as redes sociais, como uma das ferramentas tecnológicas de comunicação que possibilitou a modificação do entendimento da huŵaŶidade soďƌe o peƌto e o loŶge. BauŵaŶ ;ϭϵϵϵ, p. ϮϬͿ, Ŷo livƌo GloďalizaçĆo: as consequências huŵaŶas defiŶe pƌóxiŵo Đoŵo o Ƌue Ġ aĐessível, usual, faŵiliaƌ, ĐoŶheĐido, haďitual, uŵa ideia Ƌue ƌepƌeseŶta o Ƌue ŶĆo Ġ pƌoďleŵĄtiĐo. JĄ loŶge, Đoŵo uŵ espaço Ƌue pouco ou nunca se visita, imprevisto, deslocado e que demanda coragem, esperteza e o aprendizado de novas regras. Este mesmo autor (1999, p. 19) reflete acerca do conceito de distąŶĐia, afiƌŵaŶdo Ƌue ela Ġ uŵ pƌoduto soĐial e Ƌue sua exteŶsĆo Ġ vaƌiĄvel de aĐoƌdo com a velocidade com a qual pode ser vencida. 1 Aluna de mestrado do curso de Pós-Graduação em Memória Social da Unirio, mldamin@gmail.com 2 Aluna de mestrado do curso de Pós-Graduação em Memória Social da Unirio, sarahluna@id.uff.br