R. bras. Agrociência, v.8 n. 1, p. 31-35, jan-abr, 2002 31 APLICAÇÃO DE CÁLCIO EM PRÉ-COLHEITA NA CONSERVAÇÃO DE PÊSSEGO [Prunus persica (L.) BATSCH.], CV. CHIRIPÁ CALCIUM SPRAYING IN PREHARVEST ON PEACH STORABILITY [Prunus persica (L.) BATSCH.], CV. CHIRIPÁ VIZZOTTO, Márcia 1 ; ANTUNES, Pedro L. 2 ; BRACKMANN, Auri 3 ; DALBOSCO, Volnei 4 1 Departamento de Fitotecnia, UFPEL, caixa Postal 354 CEP 96010-900 Pelotas, RS. 2 Departamento de Ciência e Tecnologia Agroindustrial, UFPEL, caixa Postal 354 CEP 96010-900 Pelotas, RS. 3 Departamento de Fitotecnia, UFSM, 97105-900, Santa Maria, RS. Autor para correspondência. 4 Prefeitura Municipal de Farroupilha, RS. (Recebido para análise em 12/06/2001) RESUMO O experimento teve por objetivo a avaliação do efeito da aplicação foliar de cálcio na qualidade pós-colheita de pêssegos ‘Chiripá’. O experimento de campo foi instalado em um pomar, no município de Farroupilha - RS e os frutos foram frigoconservados por 30 dias na temperatura de -0,5°C e 96% de UR, em câmaras da Universidade Federal de Santa Maria-RS. O delineamento experimental utilizado foi o de blocos ao acaso, com quatro repetições de quatro plantas. Os tratamentos utilizados foram: T1 - duas pulverizações com CaCl 2 a 0,8% (24 e 15 Dias Anteriores a Colheita); T2 - três pulverizações com CaCl 2 a 0,8% (48, 24 e 15 DAC); T3 - quatro pulverizações com CaCl 2 a 0,8% (64, 48, 24 e 15 DAC); T4 - duas pulverizações com CaO a 0,3% (24 e 15 DAC); T5 - três pulverizações com CaO a 0,3% (48, 24 e 15 DAC); T6 - quatro pulverizações com CaO a 0,3% (64, 48, 24 e 15 DAC); T7 - testemunha (pulverização com água). Como fonte de CaO foi utilizado o produto comercial Calbit C na concentração de 0,3%. As avaliações de maturação e qualidade foram realizadas na abertura das câmaras mais 2 dias de climatização dos frutos a 20ºC. Conforme os resultados obtidos, firmeza de polpa, SST, cor, acidez, incidência de podridão, lanosidade e perda de peso não apresentaram diferenças estatísticas entre os frutos de plantas tratadas e não tratadas com cálcio em pré-colheita. Assim, conclui-se que os tratamentos com duas fontes de cálcio em pré-colheita não têm efeito sobre a qualidade pós-colheita do pêssego cultivar Chiripá. Palavras-chave: podridão, armazenamento, qualidade pós- colheita INTRODUÇÃO As principais causas da perda de qualidade pós-colheita em pêssegos são podridões, perda de firmeza, lanosidade, degenerescência da polpa e desidratação dos frutos, sendo as perdas estimadas em 28% (CHITARRA & CHITARRA, 1990). A lanosidade é o principal distúrbio fisiológico de importância comercial em pêssegos e nectarinas. A temperatura de armazenamento está diretamente correlacionada com o grau de ocorrência e o desenvolvimento deste distúrbio (LUCHSINGER & WALSH, 1998), relacionando-se também ao desequilíbrio da atividade pectolítica (BEN-ARIE & SONEGO, 1980), que ocorre quando os frutos são armazenados em temperaturas menores que 8°C (TAYLOR et al., 1994). A formação da lanosidade ou gel é dependente das pectinas, do seu peso molecular, grau de esterificação, pH e temperatura. A influência do pH sobre a formação do gel depende de outros fatores como concentração de pectinas, temperatura, concentrações de ácidos e sais como íons de cálcio que formam pontes entre o ácido péctico (BEN-ARIE & LAVEE, 1971). Muitas técnicas podem ser utilizadas para manter a qualidade das frutas durante o armazenamento, dentre elas, está a aplicação de cálcio em pré ou em pós-colheita. Durante o processo de amadurecimento dos frutos ocorrem várias transformações, sendo uma das mais proeminentes o amolecimento da polpa, que está relacionado com a estrutura da parede celular. Há indicação de que as pectinas solubilizam durante os primeiros estádios do amadurecimento, levando a perda de firmeza (HIGNEY & WILLS, 1981). O cálcio é um componente indispensável na constituição da lamela média da parede celular (POOVAIAH et al., 1988), sendo assim, tem relação direta com desordens fisiológicas, e também, com efeitos na redução da respiração, mantendo a firmeza de polpa (CHITARRA & CHITARRA, 1990; SAFTNER et al., 1998) e reduzindo a incidência de podridões no armazenamento (CONWAY et al., 1994). Aplicações de cálcio pós-colheita em pêssegos proporcionam menores perdas de açúcares da parede celular (HOLLAND, 1993). O cálcio, também mantém firmeza, melhorando a qualidade de caqui Fuyu(RUBIN et al., 1998) e, em pêra, reduz o escurecimento interno (FRANCÉS et al., 1999). Em tomate e maçã, o cálcio favorece a qualidade organoléptica, melhorando a aceitabilidade do produto pelos consumidores (KLEIN et al., 1998). O presente trabalho teve o objetivo de avaliar o efeito da aplicação foliar de duas fontes de cálcio, de duas a quatro épocas durante a pré-colheita, na conservação da qualidade do pêssego, cv. Chiripá, em armazenado refrigerado.