25 LINGUÍSTICA & LITERATURA 2 Atos de fala e performatividade: trajetórias teórico-metodológicas rumo a uma visada social em Pragmática 1 Danillo da Conceição Pereira Silva Introdução D esde muito cedo na história do conhecimento humano, a questão da linguagem foi alvo de relexão. Os primeiros empreendimentos intelectuais em torno de sua natureza remontam às especulações ilo- sóicas da Grécia Antiga e confundem-se com o surgimento da própria Filosoia. Apesar de o auge dessa preocupação com a linguagem só se materializar no que temos chamado de Filosoia Contemporânea, com a virada linguística ou giro linguístico 2 , a questão do signiicado foi sem- pre ponto fulcral de investigação, em diferentes níveis e modalidades, nos domínios sobre a linguagem, conforme Marcondes (2009). No que Martins (2009) intitula abordagens realistas, a linguagem é vista como um “duplo do real”, como uma instância que estabele- ce uma relação biunívoca com a realidade, com os “objetos” a que se 1 Este artigo é desdobramento do projeto de pesquisa, em nível de Mestrado Acadêmico, intitulado Atos de fala transfóbicos no cyberespaço: por uma pragmática da violência lin- guística, desenvolvido junto ao Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Sergipe (2016-2017), sob orientação da Prof. Dra. Leilane Ramos da Silva. 2 Possibilidades de tradução da expressão inglesa linguisticturn usuais nas literaturas cientíicas em língua portuguesapara designar a ascensão da linguagem ao lugar central de relexão na Filosoia, ao deixar de ser vista como representação da realidade, sendo interpretada, então, enquanto elemento a partir do qual a realidade é constituída. A ex- pressão foi “utilizada pela primeira vez no início do século XX pelo ilósofo do círculo de Viena Gustav Bergamann. A expressão foi retomada por Richard Roty, que a consagrou, em uma coletânea intitulada precisamente de The LinguisticTourn, de 1967. ” (MARCON- DES, 2009, p.10).