I congresso brasileiro de percussão – unicamp 2017 O processo de memorização da peça L’Art Bruit, de Mauricio Kagel Daniel Serale UFRJ – dserale@hotmail.com Resumo: O texto aqui apresentado é o resultado parcial de uma pesquisa em andamento, cujo objeto de estudo é a obra para percussão teatral de Mauricio Kagel. Nesse contexto, e baseados na experiência pessoal como intérprete e em pesquisas de Noice e Schick, são tratados aspectos relativos à interpretação da peça L’Art Bruit, com o objetivo de identificar recursos que auxiliem no seu processo de memorização. Palavras-Chave: Percussão teatral, Interpretação, Processo de memorização, Mauricio Kagel. The process of memorizing the piece L'Art Bruit, by Mauricio Kagel Abstract: The text presented here is a partial result of an ongoing research which study object is the work of Mauricio Kagel on percussion theatre. In this context, and based on personal experience as interpreter and in researches by Noice and Schick, aspects related to the interpretation of the piece L'Art Bruit are dealt, in order to identify resources that aid in its memorization process. Keywords: Percussion theatre, Performance, Memorizing process, Mauricio Kagel. Introdução - Percussão teatral Percussão teatral é um termo utilizado para reunir o conjunto de obras para percussão que comportam, em sua performance 1 , o emprego de elementos teatrais. Peças deste tipo existem, na música de concerto, há mais de cinquenta anos, ainda que naqueles tempos não fossem catalogadas sob esse nome. Entre as peças seminais do gênero se destacam: Pas de cinq (1965) e Dressur (1976), de Mauricio Kagel (Buenos Aires, Argentina, 1931 – Colônia, Alemanha, 2008); Le corps à corps (1978) e Le guetteurs du som (1981), de Georges Aperghis (Atenas, Grécia, 1945); e Toucher (1978) e ?Corporel (1985), de Vinko Globokar (Anderny, França, 1934). Compostas no Brasil, podemos mencionar as peças de Tim Rescala para conjunto, Bravo! (1989) e A dois (1992); e as peças para um percussionista 2 Cenas sugestivas (1985) de Carlos Kater, Canção simples de tambor (1990) de Carlos Stasi, Le cru et le cuit (1994) de Jorge Antunes, e Sonhos (2007) de Arthur Rinaldi. A expressão percussão teatral é relativamente nova. Olhando retrospectivamente, a existência do repertório antecede à sua denominação. No âmbito acadêmico, esta categoria apareceu em um artigo de Steven Schick de 1995 como “percussão como teatro” (percussion as theater). Em 2012, Julie Strom intitula sua tese doutoral Theater Percussion, onde afirma que este é um gênero “ainda sem