1 Mosaico da paisagem: um instrumento para a leitura comunitária da paisagem de bairros EIXO TEMÁTICO: PATRIMÔNIO PAISAGÍSTICO: TEORIA, HISTÓRIA E PRÁTICAS DE INTERVENÇÃO NA PAISAGEM E NOS ESPAÇOS PÚBLICOS MACIEL, Filipe Bassan Marinho Mestre, Universidade Federal de Santa Maria, filipebassan@gmail.com CUTI, Auriele Fogaça Mestranda, Universidade Federal de Pelotas, aurielefc@gmail.com PIPPI, Luis Guilherme Aita Doutor, Universidade Federal de Santa Maria, guiamy@hotmail.com RESUMO A contextualização dos lugares auxilia no entendimento da paisagem, criando bases para nela intervir através do projeto. O questionamento de uma dada realidade também passa pela percepção ambiental de seus usuários. Logo, o problema desta pesquisa é como coletar percepções comunitárias da paisagem de um bairro, visando à construção de um planejamento urbano participativo e democrático? O objetivo aqui, portanto, é apresentar um instrumento qualitativo e quantitativo desenvolvido para identificar os valores, a memória e a preferência dos atores sociais de um bairro, a partir de suas imagens mentais, tanto positivas como negativas, evocadas pelos elementos de sua paisagem. O objeto de estudo é o Bairro Camobi, zona leste da cidade de Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil. Como método, foi utilizado um painel visual e um questionário, compondo o Mosaico da Paisagem. Este possibilitou identificar lugares mais significativos dentro do bairro, além de seus aspectos positivos e negativos. O Mosaico da Paisagem atendeu ao objetivo a que se propôs, podendo ser utilizado para outros contextos como forma de identificar o que é significativo para a população envolvida, gerando estratégias de projeto que possam refletir os interesses de uma comunidade. PALAVRAS-CHAVE: paisagem de bairro; percepção ambiental; leitura comunitária. 1 INTRODUÇÃO A análise de contexto antecede qualquer proposição arquitetônica, urbanística e/ou paisagística, sendo o diagnóstico uma ferramenta importante para a compreensão da problemática em que se insere uma intervenção. Na primeira metade do século XX, o Modernismo reagiu às condições físicas da cidade industrial 1 , valendo-se do conhecimento médico desenvolvido à época, o qual apontava para a necessidade de insolação, ventilação e acesso a espaços livres para maior salubridade das edificações. Os novos princípios propostos para as tipologias edificadas buscavam separar as construções umas das outras, espalhá-las para permitir o fluxo de ar desimpedido e a insolação, construindo para o alto, onde a luz e o ar 1 As mudanças socioeconômicas causadas pela Revolução Industrial levaram à urbanização acelerada e à lotação das cidades no século XIX. A inexistência de transporte público de massa e a necessidade de que os trabalhadores pudessem ir a pé ao trabalho induziram a densificação do entorno das fábricas, conformando um ambiente insalubre para moradia (CARMONA et al., 2010).