Capítulo 4 Marielle e a representatividade da vida que carrega o signo da morte Pâmela Guimarães-Silva 1 Notas iniciais: inquietações e inspirações Inspira-me para este ensaio a obra Em Frames of war: when is life grievable? (2009), traduzido para o português como Quadros de guerra: quando a vida é passível de luto? (2015), de Judith Butler. Outra fagulha criativa para esse texto foi a tese de Sueli Carneiro intitulada A Construção do Outro como Não-Ser como fundamento do Ser (2005). Minha inquietação segue o teor dessas obras, que questionam a validade das molduras pelas quais apreendemos ou deixamos de apreender a vida dos negros e negras como perdida ou lesada. Assim, alinhada com a pesquisa que tenho desenvolvido no processo de doutoramento, este texto promove uma refexão ensaística sobre: a defnição do que é uma vida, a diferença entre a valoração da vida e das vozes dos sujeitos brancos e negros, bem como sua representatividade. Essa temática tem me tocado de forma mais efetiva desde 2015, com a efer- vescência dos movimentos feministas nas redes sociais e de campanhas como 1. Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais.