Cartografias de si como processo (auto) formativo de educadores: apontamentos de viagem Sumaya Mattar 1 La necesidad de abarcar en una imagen la dimensión del tiempo junto con la del espacio está en los orígenes de la cartografía. Tiempo como historia del pasado: pienso en los mapas aztecas siempre llenos de representaciones histórico-narrativas, pero también en cartas medievales como un pergamino miniado hecho para el rey de Francia por el famoso cartógrafo de Mallorca Cresques Abraham (siglo XVI). Y tiempo en el futuro: como presencia de los obstáculos que se encontrarán en el viaje, y aquí el tiempo atmosférico se une al tiempo cronológico; a esta función responden las cartas de climas como la que dibuja ya en el siglo XII el geógrafo árabe El-Eririsi. El mapa geográfico, en suma, aunque estático, presupone una idea narrativa, es concebido en función de un itinerario, es Odisea. Ítalo Calvino Resumo O texto apresenta as bases metodológicas de dois atos cartográficos desenvolvidos na oficina com professores de Arte da Educação Básica e estudantes de Licenciatura em Artes Visuais, no âmbito da II Jornada PARFOR/Arte na Escola, ocorrida na Universidade Estadual de Londrina, no mês de julho de 2017. Tais atos cartográficos fazem parte de um conjunto de práticas desenvolvidas no âmbito do processo formativo denominado cartografias de si, que vimos construindo em nosso trabalho junto a diversos grupos de estudantes, professores e pesquisadores participantes de nossos cursos na Universidade de São Paulo e em outros locais. O uso da noção alargada de cartografia e da ideia de viagem como metáfora para deslocamentos, desenraizamentos e abertura para o desconhecido imprimem qualidade poética ao processo formativo, inspirando processos individuais e coletivos de expressão e criação, que não se limitam aos campos da arte e da educação. Palavras-Chave: Arte/Educação. Cartografia. Formação de professores. De viagens e viajantes Viagens inspiram outras viagens. Viajar implica deslocamento e pressupõe a existência de, pelo menos, dois territorios: o lugar de onde o viajante parte e aquele em que ele pretende chegar. Esse deslocamento pode gerar transformações no próprio viajante e nos espaços e pessoas com os quais ele interage ao longo do seu percurso. Há muito, vimos trabalhando com uma noção ampliada de viagem, utilizando-a como uma potente metáfora disparadora de deslocamentos, desenraizamentos, 1 Docente da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Licenciada em Artes Plásticas pela Universidade Federal de Uberlândia. Mestra e doutora em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. Email: sumayamattar@usp.br