1 Seminário Internacional Fazendo Gênero 11 & 13 th Women’s Worlds Congress (Anais Eletrônicos), Florianópolis, 2017, ISSN 2179-510X A IDENTIDADE TRANSFEMINISTA ATRAVÉS DA REDE Raul Nunes 1 Resumo: São diversos os espaços de militância feminista, mas um em especial tem despontado como locus do transfeminismo no Brasil: o ciberespaço. O transfeminismo.com, site surgido em 2011, tornou-se um coletivo e uma fonte de informações sobre o feminismo direcionado às questões trans. Nesta plataforma produz-se identidade coletiva por meio de investimentos emocionais, uma rede ativa de relacionamentos e a criação de definições cognitivas do conflit o e do “nós”. Articulam-se conceitos como "cisgeneridade" e demandas como a despatologização das identidades trans numa intrincada elaboração sobre a opressão específica sofrida pelas pessoas trans (transfobia) e os caminhos feministas para sua resolução, que perpassam por um enfrentamento dos sistemas médico e jurídico. Aliando-se e afastando-se de outros expoentes do ciberfeminsmo brasileiro, o transfeminismo tece sua rede de relações. E num grupo do Facebook podem ser observadas as interações entre as militantes. Com esse trabalho que apresenta os resultados de uma pesquisa de mestrado pretende-se utilizar o conceito de identidade coletiva, advindo da sociologia dos movimentos sociais, para aplicação no estudo do ciberativismo e, neste caso, do ciberfeminismo. Palavras-chave: transfeminismo. ciberativismo. ciberfeminismo. Introdução O feminismo se consolidou ao longo de seus dois séculos de existência como um dos movimentos sociais mais consistentes, plurais e aguerridos que se tem conhecimento na história da humanidade. O caso das mulheres tans é um dos grandes pontos de debate atualmente. Ao reivindicarem sua inclusão no feminismo encontram apoios e enfrentamentos. Essas fricções começam com um deslocamento militante das pessoas trans confinadas ao movimento LGBT em direção ao feminismo. No Brasil, “as primeiras iniciativas provavelmente se localizam entre o final da década de 1990 e início dos anos 2000” (COACCI, 2014, p. 150). Fato é que existe uma relação muito íntima entre transfeminismo e ativismo interconectado, haja vista que “a internet é o canal por excelência de produção, difusão e crítica de informações sobre o pensamento-ação transfeminista” (JESUS, 2014, p. 9). No Brasil a principal força do movimento é o site Transfeminismo.com. Criado por Hailey Kaas em 2011, tornou-se um coletivo, possuindo, além do endereço virtual, uma página no Facebook e um grupo de discussões “que serve como um misto de espaço de sociabilidade e solidariedade e também como um espaço de autoformação e discussão sobre pautas transfeministas” (idem, p. 151). Sendo o Transfeminismo.com polo aglutinador de diversas militantes transfeministas brasileiras, apresenta-se como profícuo aparato para a investigação de desenvolvimento de 1 Doutorando em Sociologia pelo IESP-UERJ, Rio de Janeiro, Brasil.