RPGs nos consoles: suas influências no aprendizado informal da Língua Inglesa no Brasil. Patrick Dourado Ribeiro 1,2 Universidade Federal do Rio de Janeiro, Escola de Comunicação, Brasil 1 Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia, Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação, Brasil 2 RESUMO Este trabalho tem como objetivo analisar o potencial dos Jogos eletrônicos do gênero RPG (Role Playing Game) desenvolvidos para consoles caseiros, no que diz respeito ao aprendizado informal da língua inglesa, voltado para os aspectos de leitura e aquisição de vocabulário do idioma. Tal gênero foi escolhido devido aos seus elementos de mecânicas e jogabilidade, necessitando do conhecimento do idioma em questão para compreensão da narrativa, além da navegação pela interface gráfica do jogo, requisitos necessários para terminar o mesmo. Para verificar tal hipótese, foi realizada uma pesquisa em duas comunidades brasileiras do Facebook, analisando resultados qualitativos e quantitativos em relação ao aprendizado dos jogadores. Os resultados mostraram os RPGs, especialmente nos consoles Super Nintendo Entertainment System e Playstation funcionaram como elementos para a aquisição de proficiência no idioma inglês. Palavras-chave: Role Playing Games, Jogos Eletrônicos, Videogames, Aprendizado na Língua Inglesa. 1 INTRODUÇÃO Pode-se afirmar que o humano enquanto ser social possui a necessidade de interagir com seus semelhantes em atividades que não fossem diretamente ligadas às necessidades primárias, permitindo-os simular outras realidades as quais não fazia parte. Talvez o termo que consiga definir esse contexto seja “jogar” ou “brincar”. Vale ressaltar que no inglês, o termo “play” serve para abranger ambos os conceitos, porém as diferenças entre brincar e jogar não serão abordadas neste trabalho. [1] Huizinga afirma que jogar/brincar é parte integrante da vida humana, sendo um conceito que não possui uma definição exata, no que diz respeito aos termos lógicos, biológicos ou estéticos. O autor afirma que o conceito de jogo permanece distinto das outras formas de pensamento que visam expressar a estrutura da vida espiritual e social. [1]. Com o desenvolvimento das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), o conceito de jogo sofreu modificações. Surgiram os jogos eletrônicos, também conhecidos como videogames, que permitiam ao indivíduo jogar, mediado por um aparelho eletrônico, chamado console, que simulava mundos em uma tela, através sons e imagens em movimento, como em um filme interativo. [3][4] Primeiramente é necessário apontar as significâncias e conceitos do termo “videogame”; embora existam diversas definições exata na literatura, este trabalho considera que videogames são jogos eletrônicos produzidos, armazenados e reproduzidos em plataformas computacionais que utilizam recursos de processamento gráficos e sonoros, permitindo a interação com uma interface de usuário, gerando uma resposta visual em um dispositivo de saída de vídeo, como uma televisão, tela de computador ou dispositivos móveis. [3] No Brasil, o termo também é utilizado para classificar os chamados “consoles”, plataformas eletrônicas com arquitetura própria e permitem a interação entre o usuário e os jogos. Tal interação é feita por meio de um acessório chamado Joystick, ou controle, que permite a execução de comandos manuais e a verificação da resposta de tais comandos em um determinado jogo. Este trabalho visa analisar os jogos eletrônicos do gênero Role- Playing Game (RPGs) podem funcionar como instrumentos de aprimoramento na língua inglesa, com foco na leitura. O estudo se baseia no aprendizado informal, ou seja, não praticado nas escolas ou cursos especializados do idioma. Foi realizada uma discussão da utilização dos videogames no aprendizado do idioma, utilizado amplamente nos jogos publicados no ocidente. Ressalta-se também que os jogos abordados no trabalho não se inserem na categoria de jogos didáticos. Para verificar tal hipótese, além da revisão de literatura, foi desenvolvido um questionário na plataforma Google, denominado Google Forms, e aplicado em duas comunidades da mídia social Facebook, sobre o gênero RPG e colecionadores de consoles e jogos antigos, conhecidos como Retrogamers. O estudo foi localizado no Brasil, partindo da premissa que durante anos iniciais dos consoles no país, o idioma majoritariamente utilizado era o inglês. Os resultados e a discussão dos dados, assim como as considerações, foram discutidos no final deste trabalho. [29][30] Foram contemplados no estudo os consoles que na época não possuíam jogos traduzidos para o português, com raras exceções. A partir do momento que os jogos mais atuais começaram a serem traduzidos para o idioma nativo, os mesmos podem ser considerados como não representativos no aprimoramento do idioma inglês. O recorte temporal realizado abrange as gerações de consoles desde a época do Nintendo Entertainment System – NES [5], em 1985 até o Playstation 2 [6], em 2000. Também foi apresentada uma breve trajetória dos jogos do gênero RPG, tendo em vista que os mesmos se interligam ao período de desenvolvimento dos consoles, com suas versões eletrônicas necessitando de maior armazenamento das mídias para comportar narrativas maiores e mais complexas. Porém requisitos técnicos específicos não foram discutidos, não sendo considerados pelo autor como elementos intrinsicamente ligados ao aprendizado do idioma inglês, especialmente no que diz respeito à leitura e aquisição de vocabulário. [7] Tal escolha ocorreu devido à necessidade do entendimento do idioma em questão para dar prosseguimento a história e consequente finalização do jogo. Embora existam outros estilos que possuam narrativas, notou-se que os RPGs apresentam tais características como elemento principal e parte integrante de sua mecânica. Os jogos para computadores, embora também importantes, não foram contemplados neste trabalho. A razões serão explicadas posteriormente no trabalho. SBC – Proceedings of SBGames 2017 | ISSN: 2179-2259 Culture Track – Full Papers XVI SBGames – Curitiba – PR – Brazil, November 2nd - 4th, 2017 740