Helena Pires, Teresa Mora, Ana Francisca de Azevedo & Miguel Sopas Bandeira (2014) Jardins - Jardineiros - Jardinagem Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Universidade do Minho . ISBN 978-989-8600-22-6 Arte na paisagem: modelos de exposição e fórmulas de recepção artística Laura Castro Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes (CITAR) – Escola das Artes, Universidade Católica Portuguesa lcastro@porto.ucp.pt Resumo Os jardins de escultura enquadrados em instituições museológicas que surgem no século XX promovem uma experiência única de recepção das obras de arte, aí convergindo o tratamento de espécies vegetais, a atmosfera de ar livre e a exposição de peças escultóricas de carácter moderno. Este texto aborda jardins de escultura decorrentes da iniciativa de museus e de artistas que correspondem aos modelos fundadores da exposição na paisagem. No sentido de se adaptar à natureza da arte contemporânea e à ideia de intervenção artística, a exposição da arte na paisagem propõe, ao longo da segunda metade do século XX e na transição para o século XXI, outros modelos que, rompendo com as características do jardim fechado, originam parques de escultura e itinerários artísticos. Aqui se abordam exemplos paradigmáticos destes núcleos expositivos que, sem renunciar à sua origem radicada no jardim, acabam por contribuir para a sua reconfguração. Palavras-Chave: Arte contemporânea; Paisagem; Jardim de Escultura; Pavilhão de Escultura A integração de escultura, objectos e outras intervenções artísticas nos jardins corresponde a uma prática antiga que foi sofrendo as actualizações decorrentes, quer do agenciamento arquitectónico e paisagístico dos espaços, quer das transfor- mações do processo artístico. O século XX foi particularmente expressivo quanto às mudanças provocadas nesta relação entre a arte e o jardim, como se verifca através das experiências sucessivas que reconfguraram a obra de arte dos pontos de vista conceptual, formal e material, mas também das propostas que modifcaram o lugar paisagístico que a acolheu. Sem se limitar a um entendimento estrito do jardim, esta comunicação percorre aspectos fundamentais da ligação entre a escultura contemporânea e a paisagem, abordando as tipologias do encontro entre as duas entidades, sempre que este encontro se possa defnir pelo teor expositivo. Dito de outro modo: interessa-nos a intersecção entre a arte e a paisagem no ponto em que se geram exposições, em que se constroem paisagens como área expositiva e em que a arte tem particular responsabilidade na criação de certas paisagens. Tal perspectiva justifca-se porque partimos do campo da arte, da sua mediação e da sua instalação expositiva, e não do campo da paisagem ou da jardinagem. pp. 103 -117