Arq Bras Cardiol 2001; 76: 305-9. Alves e cols Desfibriladores automáticos em passageiros de empresa aérea 305 305 305 305 305 Departamento Médico da Fundação Ruben Berta - Varig e Laboratório de Treinamento e Simulação do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo Correspondência: Paulo Magalhães Alves - Av. Almirante Silvio de Noronha, 361 – Bl. A – 2ª Secretaria – 20001-010 – Rio de Janeiro, RJ Recebido para publicação em 4/7/00 Aceito em 6/9/00 Paulo Magalhães Alves, Ênio João Jensen de Freitas, Heber Antunes Mathias, Antonio Eduardo Amorim da Motta, Rita de Cássia Azevedo Silva, Marina Müller, Suzana Fátima B. Almeida, Edward Stapleton, Sergio Timerman, José Antonio F . Ramires São Paulo, SP Uso de Desfibriladores Externos Automáticos em Empresa Aérea Brasileira. Experiência de Um Ano Comunicação Breve A partir da incorporação de desfibriladores externos automáticos por parte de outras empresas e com o incenti- vo da Sociedade Brasileira de Cardiologia, a Varig ini- ciou o Projeto Desfibrilação a Bordo com o objetivo de equipar, inicialmente, os aviões de fuselagem larga, mais freqüentemente utilizados para vôos internacionais, e três aviões servindo ao trecho Rio-São Paulo. Com todos os chefes de equipe treinados, foram in- corporados os desfibriladores externos automáticos em 34 aviões de uma frota total de 80. Os equipamentos foram instalados dentro dos com- partimentos de bagagem, presos por tiras de “velcro”, acompanhados de dois pares de eletrodos, sendo um pré- conectado, para minimizar o tempo de aplicação. Mais tarde, foi também adicionado ao conjunto de ressuscita- ção, um monitor portátil, equipando apenas os vôos de longo curso. A expansão do conhecimento dos fundamentos do Su- porte Básico à Vida, com a correta implementação da Cor- rente da Sobrevida e de desfibriladores externos automá- ticos, vai aumentar a chance de recuperação das vítimas de parada cardiorrespiratória em aviões. A incorporação de desfibriladores externos automáti- cos representou um passo marcante no esforço das empre- sas aéreas de melhor equacionarem o manuseio de emergên- cias médicas ocorridas a bordo de aeronaves em vôos co- merciais. Os programas de desfibrilação a bordo se coadunam perfeitamente com as diretrizes emanadas pela Aliança In- ternacional dos Comitês de Ressuscitação (ILCOR), da American Heart Association (AHA) e no Brasil, do Comitê Nacional de Ressuscitação do Funcor da Sociedade Brasi- leira de Cardiologia 1,2 . Ainda que inconsistente, a revisão dos dados da Varig permitiu estimar a ocorrência de uma morte a bordo a cada 1,6 milhão de passageiros embarcados, sendo que na maio- ria dos casos esses pacientes não se identificaram como enfermos na apresentação para o vôo. A morte súbita é certamente uma ocorrência temida no curso da doença coronariana e, ainda que rara, é a forma de morte mais freqüente a bordo de aeronaves comerciais 3-5 . O propósito deste artigo é a apresentação da política de implantação de um programa de desfibrilação a bordo dos aviões de uma grande empresa aérea nacional, revendo a casuística durante o primeiro ano de implantação. Métodos Em fevereiro de 1997, a partir do anúncio da incorpora- ção de desfibriladores externos automáticos por parte de outras empresas e com o incentivo da Sociedade Brasileira de Cardiologia, a Gerência Geral Médica da Varig iniciou o Projeto Desfibrilação a Bordo. O objetivo era equipar inicial- mente os aviões de fuselagem larga (5 Boeings 747, 10 MD- 11, 8 DC-10 e 8 Boeings 767), mais freqüentemente utiliza- dos para os vôos internacionais, e três aviões servindo o trecho Rio-São Paulo (Boeing 737-300). Entendendo que a presença de um médico a bordo é fortuita, que nem sempre a solicitação é bem recebida 6,7 , e que a maior parte dos colegas ainda não se encontra familia- rizada com os desfibriladores externos automáticos, deci- diu-se que o comissário de bordo seria o foco do treinamen- to, como preconizado nos conceitos da AHA de desfibrila- ção de acesso público 2 . No sentido de se iniciar o projeto, quando houvesse um número de comissários que garantisse a presença de pelo menos um comissário treinado por vôo, optou-se por Arq Bras Cardiol, volume 76 (nº 4), 305-9, 2001