529 VIGILÂNCIA GENÉTICA, CRIMINALIZAÇÃO E COLETIVIZAÇÃO DA SUSPEIÇÃO * Helena Machado: Departamento de Sociologia, Instituto de Ciências Sociais (ICS), Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS), Universidade do Minho (UM) – hmachado@ics.uminho.pt. Filipa Queirós: Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS), Instituto de Ciências Sociais (ICS), Universidade do Minho (UM) – flipaqueiros@ics.uminho.pt. Marta Martins: Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS), Instituto de Ciências Sociais (ICS), Universidade do Minho (UM) – martamartins@ics.uminho.pt. Rafaela Granja: Departamento de Sociologia, Instituto de Ciências Sociais (ICS), Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS), Universidade do Minho (UM) – rgranja@ics.uminho.pt. Sara Matos: Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS), Instituto de Ciências Sociais (ICS), Universidade do Minho (UM) – saramatos@ics.uminho.pt. Capítulo 22. Vigilância genética, criminalização e coletivização da suspeição Helena Machado | Filipa Queirós | Marta Martins | Rafaela Granja | Sara Matos* INTRODUÇÃO Ao longo das últimas duas décadas, tem-se expandido o papel das bases de dados criminais e das tecnologias genéticas no domínio do combate à cri- minalidade e terrorismo. Por um lado, tem sido sistemática a expansão, em número e dimensão, de bases de dados informatizadas de elevada escala que armazenam informação relativa a milhares de indivíduos condenados ou que tenham passado pelo sistema de justiça. Por outro lado, assiste-se a um crescente desenvolvimento de tecnologias genéticas de apoio à inves- tigação criminal que permitem identifcar suspeitos criminais pela via da pesquisa de familiares ou pela previsão da aparência física de pessoas. No âmbito do presente capítulo, designaremos este conjunto de dispositivos tecnológicos como parte integrante de um sistema tecnocientífco de vigi- lância genética de foro criminal.