Edição nº 12 – 2º semestre de 2011 Artigo recebido até 28/10/2011 Artigo aprovado até 11/11/2011 Revista Avepalavra – ed. 12 – 2º semestre 2011 AULULARIA, DE PLAUTO, E O SANTO E A PORCA, DE ARIANO SUASSUNA – APROXIMAÇÕES E DISTANCIAMENTOS NA CONSTITUIÇÃO DO CÔMICO Maricélia Nunes dos Santos (UNIOESTE) 1 RESUMO: Na obra em que analisa a produção literária de Rabelais, Mikhail Bakhtin (1999) se refere ao riso tratando do caráter ambivalente deste na cultura cômica popular. O filósofo russo afirma que ao longo da história as formas tidas por sérias, que é o caso das tragédias e das epopeias, por exemplo, foram adotadas como as únicas adequadas para a verdade e que as formas cômicas passaram a figurar como gêneros menores, sendo que o riso na contemporaneidade é concebido básica ou exclusivamente em seus aspectos denegridores, deixando, assim, de ser ambivalente. Tomando por base as considerações deste teórico, interessa-nos proceder à análise da obra O santo e a porca (1979), do dramaturgo nordestino Ariano Suassuna, de forma a comparar os procedimentos adotados pelo escritor brasileiro do século XX com a obra plautina Aulularia, escrita no século II a.C. Nosso propósito é investigar se há a manutenção da ambivalência cômica em sua peça, bem como em que medida são mantidos os procedimentos adotados por Plauto na produção do elemento cômico e em que aspectos o autor se distancia da comédia romana. Além do já mencionado Bakhtin, valer-nos- emos de outros teóricos que tratam de questões relativas ao cômico, tais como Bergson (1980) e Propp (1992). PALAVRAS-CHAVE: Aulularia; O santo e a porca; Constituição do cômico; Ambivalência. RESUMEN: En la obra en la cual se analiza la producción literaria de Rabelais, Mikhail Bakhtin (1999) se refiere al riso tratando del carácter ambivalente de éste en la cultura cómica popular. El filosofo ruso afirma que a lo largo de la historia las formas tenidas por serias, que es el caso de las tragedias y de las epopeyas, por ejemplo, fueron adoptadas como las únicas adecuadas para la verdad y que las formas cómicas pasaron a figurar como géneros menores siendo que el riso en la contemporaneidad es concebido básica o exclusivamente en sus aspectos denigradores, dejando, así, de ser ambivalente. Tomando por base las consideraciones de este teórico, nos interesa proceder al análisis de la obra O santo e a porca (1979), del dramaturgo nordestino Ariano Suassuna, de forma que se pueda comparar los procedimientos adoptados por el escritor brasileño del siglo XX con la obra plautina Aulularia, escrita en el siglo II a.C.. Nuestro propósito es investigar si hay la manutención de la ambivalencia cómica en su obra, así como en qué medida son mantenidos los procedimientos adoptados por Plauto en la producción del 1 Acadêmica do 4º ano de Letras – Português/Espanhol, da Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Bolsista PIBID e acadêmica voluntária de IC. Este artigo foi desenvolvido sob a orientação da professora doutora Lourdes Kaminski Alves e encontra-se publicado, com pequenas alterações, nos Anais do X Seminário Nacional de Literatura, História e Memória e I Congresso Internacional de Pesquisa em Letras no Contexto Latino-Americano.