Competência comunicativa e empresa de si: uma análise do ethos de jornalistas profissionais no Facebook. 1 Naiana Rodrigues da Silva 2 Universidade de São Paulo Resumo Neste artigo é proposto o conceito de competência comunicativa como mais uma competência a ser exercida pelo jornalista na sociedade em rede. Essa competência deriva das novas subjetividades performadas, principalmente, nas redes sociais (SIBILIA, 2015), e articula-se com a racionalidade neoliberal que prega a empresa de si, condução da vida aos moldes da gestão empresarial (LAVAL E DARDOT, 2013). Para perceber o exercício da competência comunicativa são analisadas postagens de dois jornalistas. A análise revelou a construção de um ethos (MAINGUENEAU, 2006) de competência e sucesso por esses sujeitos, o que denota a vinculação discursiva deles à racionalidade neoliberal e à subjetividade do homem-empresa. Palavras-chave: Competência comunicativa; empresa de si; performance; ethos; redes sociais Introdução A mediação da experiência cotidiana por meio das mídias assume novos contornos com a entrada em cena de tecnologias que proporcionam conexões instantâneas e ubíquas entre os sujeitos. A aceleração da emissão de informações e a consequente complexidade do cenário comunicacional motivam autores como Manuel Castells (1999) a considerar que vivemos uma nova revolução no âmbito tecnológico-informacional comparável em termos de significação à sistematização da imprensa por Gutemberg, no século XV. A sociedade contemporânea, extremamente midiatizada e tecnologizada, organiza-se agora em fluxos de comunicação em rede. Todas as esferas da vida são assim influenciadas pela nova ordem social que se instaura, do trabalho à política e economia, chegando aos relacionamentos interpessoais. Na sociedade em rede (CASTELLS, 1999), a comunicação tem um papel central nas vidas dos sujeitos, 1 Trabalho apresentado no Grupo de Trabalho Comunicação, cultura empreendedora e trabalho: consumo, narrativas e discursos, do 7º Encontro de GTs de Pós-Graduação - Comunicon, realizado nos dias 10 e 11 de outubro de 2018. 2 Doutoranda no Programa de Pós-graduação da USP sob orientação de Roseli Fígaro; professora do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará (UFC); integrante do Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho da ECA/USP e do grupo de pesquisa PraxisJor, do curso de Jornalismo da UFC. naianarodrigues@usp.br