Arnaldo Antunes é o nome do cara, Nome é o nome da coisa Renata Mancini Universidade Federal Fluminense Introdução O projeto Nome, de Arnaldo Antunes, congrega poemas, imagens, música, sons diversos articulados das mais variadas formas para montar uma trama de significação tecida a partir dos diferentes suportes utilizados pelo autor (vídeo, livro e CD). Originalmente lançado em 1993, teve sua reedição em formato DVD feita recentemente em 2006, dada a originalidade da obra e, sobretudo, dado o frescor de sua proposta. A opção pelo texto sincrético, construído a partir da congregação de diversas linguagens (visual, verbal, musical), constitui uma assinatura de Arnaldo Antunes, na medida em que a busca de novas formas do contrato enunciativo – segundo o qual estabelece-se uma interlocução entre um enunciador e um enunciatário por meio de um enunciado, neste caso, artístico – figura reiteradamente como uma de suas principais indagações. A produção de Arnaldo Antunes parece estar à espreita de uma nova maneira de “fazer sentir” a obra de arte, seja por explorar o diálogo intersemiótico, seja por criar artifícios sintáticos originais e sobreposições semânticas inusitadas, de modo a “empurrar” as fronteiras do enunciado em busca de novos limites da significação. O próprio autor deixa clara essa inquietude produtiva ao comentar sua escolha pela associação entre linguagens, em uma palavra pelo texto sincrético, na confecção do projeto Nome: “Eu queria juntar a leitura na tela, sair do papel, obter movimento na leitura. Isso concomitantemente à ocorrência do som, o que dá muitas camadas de simultaneidade”. 1 Essas “camadas de simultaneidade”, construídas por meio da exploração do diálogo entre linguagens, propiciam novas maneiras de interação com o enunciado, ao 1 Arnaldo Antunes, em entrevista a Mariella Lazaretti, Jornal da Tarde, 01/10/1993. -.-.