ROUSSEAU E O DISCURSO SOBRE AS CIÊNCIAS E SOBRE AS ARTES: O PRELÚDIO DE UMA VISÃO CRÍTICA DA CENTRALIDADE TECNOCIÊNTÍFICA Ana Paula Bispo da Silva Grupo de Pesquisa em História da Ciência e Ensino/GHCEN) Departamento de Física – Universidade Estadual da Paraíba anabispouepb@gmail.com Cidoval Morais de Sousa Professor da Universidade Estadual da Paraíba cidoval@gmail.com Vitor Ogiboski Mestrando em Ciência, Tecnologia e sociedade/CTS da Universidade Federal de São Carlos vitorogbk@hotmail.com Um novo sentido para o enfoque de Rousseau Recorrer à obra de Rousseau para abordar a crítica a tecnociência é buscar o início de um posicionamento que tem ganhado espaço nos estudos da filosofia e das ciências sociais. O que procura-se investigar é o sentido e o valor da evolução sócio- técnica para a modernidade, refletindo, assim como Rousseau, se elas tem algum tipo de relacionamento com a virtude humana. A preocupação com os efeitos negativos gerados pelo desenvolvimento científico passou a ocupar as agendas de pesquisas depois de eventos como as guerras biológicas, bombas nucleares e devastação ambiental, ocorridos principalmente depois da segunda grande guerra. O perigo da tecnociência existe e está cada vez mais evidente, porém, como afirma Bazzo, Pinheiro e Silveira (2009), muitos cidadãos ainda tem dificuldades de compreender seus reais efeitos, que por detrás de grandes promessas de avanços tecnológicos, esconde lucros e interesses das classes dominantes. Tal realidade parece evidenciar o temor de Rousseau, por isso, parece conveniente recuperar seu primeiro escrito, buscando uma leitura contemporânea de suas idéias, afim de retomar um alerta que foi dado há 260 anos atrás, ou seja: o desenvolvimento das artes e ciências é capaz corromper a dignidade humana, afastando o homem de sua humanidade. Quando o autor genebrino exprime que a ciência esconde falsas estradas que levam a caminhos mil vezes mais perigosos que a verdade que se busca, (ROUSSEAU, [1749], 2005), mostra que o teor de suas críticas ganham sentido e aplicabilidade atual. De acordo com Santos (1988), é hora de retomarmos os questionamentos sobre as relações entre a ciência e a virtude, nos perguntando se o acúmulo do conhecimento científico tem gerado o enriquecimento ou o empobrecimento prático das nossas vidas, mas efetivamente, se a ciência e a tecnologia promovem a felicidade humana. Para que se possa apontar a pertinência das ideias de Rousseau para o contexto da sociedade tecnológica atual, serão utilizados fragmentos das obras de dois autores