Caminhos de resistências trajetória e contribuições da Itecsol/UFPel Carla Rosane da Silva Mota, Laís Vargas Ramm, Marcela Simões Silva [...] sabemos que para o que se segue temos de escutar outras vozes e necessitamos que essas outras vozes se escutem entre elas. Precisamos de um encontro, dois, três, muitos encontros para poder construir jun- tos este caminho – e se este caminho não existe, pelo menos nos divertimos bastante tratando de encontrá-lo [...] 1 Subcomandante Marcos – Movimento Zapatista INTRODUÇÃO1 Este artigo tem como objetivo central apresentar a trajetória e as contribuições da Incubadora Tecnológica de Empreendimentos Econômicos Solidários (Itecsol) da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) a partir de um debate que vai desde a sua constituição até seus resultados, suas resistências e seus desafios, passando pelos princípios e procedimentos metodológicos adotados. O texto é construído pela cos- tura de uma coleção de memórias das autoras, que participaram de parte significa- tiva do tempo de existência do Núcleo Interdisciplinar de Estudos e Extensão em Tecnologias Sociais e Economia Solidária (Núcleo Tecsol), 2 incluindo seu processo de constituição. No entanto, não é nossa pretensão abarcar todos os acontecimentos históricos compreendidos desde sua fundação até o presente, tampouco dar conta de todas as nuances da complexidade que envolve o trabalho de incubação reali- zado pela Itecsol. Pretendemos, por outro lado, apresentar contribuições singelas a respeito daquilo que dura 3 das experiências do núcleo, a memória de sua trajetória 1 Trecho retirado de uma fala do 1º Encontro Intercontinental contra o Liberalismo e pela Humanidade convocado pelo Exército Zapatista da Libertação no ano de 1996. Disponível em: <http://www.teoriaede- bate.org.br/materias/internacional/guerrilha-internet?page=full>. Acesso em: 18 fev. 2017. 2 Neste texto, utilizamos a expressão Núcleo Tecsol para demarcar a diferença em relação ao nome Incubadora Tecsol (Itecsol), programa no qual centramos nossa discussão. No cotidiano de trabalho do núcleo, no entanto, costumamos nos referir a ele apenas como “Tecsol”. 3 “Mas assim definida, a duração não é somente a experiência vivida; é também experiência ampliada, e, mesmo ultrapassada, ela já é condição da experiência; pois o que esta propicia é sempre um misto de espaço e de duração” (Deleuze, 1999, p. 31).