Seminário América Latina: Cultura, História e Política - Uberlândia - MG 18 a 21 de maio de 2015 1 Coletivos de arte, guerra de classes e capitalismo na periferia Marcelo Mari 1 RESUMO A redescoberta do situacionismo no mundo e em particular no Brasil deu-se com os episódios das manifestações contra a economia neoliberal e a marcha funesta da globalização no final dos anos da década de 1990. Em meio a esse processo perverso de exclusão social no capitalismo tardio, jovens do mundo inteiro passaram a organizar formas de combate e de resistência às contradições criadas pelas políticas de Estado policial e de perdas de direitos civis. Em termos táticos, esses jovens criaram veículos alternativos para informação e se beneficiaram da internet como ferramenta de debate e de mobilização. Tratava-se de recorrer a novos instrumentos de combate e nas artes isso significou o surgimento de coletivos artísticos. Esses coletivos, além de fazer a crítica da produção de arte como produção exclusivamente individualizada, iam para além disso e negavam o estatuto de definição tradicional das artes visuais para se assumirem como agentes combativos no plano político e cultural. PALAVRAS-CHAVE: Artes visuais; confrontos nas ruas; crise política no Brasil. TEXTO DO TRABALHO A partir dos anos de 1990, depois do refluxo da pintura e de seu mercado no Brasil, muitos jovens artistas simpatizantes das causas sociais alguns deles pauperizados com as reformas draconianas do neoliberalismo local, inauguradas pela política econômica de Fernando Collor e implantadas com toda sua virulência por Fernando Henrique Cardoso voltaram-se para as táticas situacionistas e produziram o que poderíamos designar como um novo conceitualismo na arte, uma nova arte ativista por aqui. Nesse 1 Professor de Estética e História da Arte na Universidade de Brasília. marcelomari.vis@gmail.com