Volume 12, Número 3, dezembro de 2018 | Página 163 Revista Mídia e Cotidiano Artigo Seção Temática Volume 12, Número 3, dezembro de 2018 Submetido em: 14/10/2018 Aprovado em: 30/12/2018 PAISAGEM-INTERDIÇÃO: A REGULAGEM DO VISÍVEL NA CARTOGRAFIA 2.0 LANDSCAPE INTERDICTION: THE REGULATION OF THE VISIBLE IN CARTOGRAPHY 2.0 Grécia Falcão 1 Resumo: Desde o início dos anos 2000, a audiência global tem acesso a volumes crescentes de mídias geográficas. Surgem portais gratuitos, abertos à reinterpretação de seu conteúdo, que visam resolver os problemas de navegação pelas pequenas e grandes cidades. São mapas que podem ser percorridos através do uso de computadores disponíveis em diversos gadgets (tablets, smartphones, smartwatches), e tem interfaces de manuseio simples e intuitivo. Notadamente, na era do Google Maps, o espaço planetário tem sido mapeado e reproduzido, em toda parte, por intermédio de fotografias registradas por transeuntes, por automóveis equipados com câmeras (Google Street View), ou a partir de aeronaves e satélites localizados a quilômetros de distância da Terra (Google Earth). No entanto, a série fotográfica Deutch Landscapes, do artista belga Mishka Henner, confere ao espectador uma provocação. São fotografias que mostram cenários onde as vistas aéreas do aplicativo Google Earth apresentam dissonâncias – dissensos visuais. São borrões que denotam impedimentos, e que apresentam uma geografia que escapa a lógica de cálculo das coordenadas cartográficas – os critérios estáveis das projeções óticas que construíram, desde o Renascimento, a representação do espaço na paisagem (pictórica e fotográfica). Palavras-chave: Google Maps, Fotografia de Paisagem, Arte Contemporânea. Abstract: Since the early 2000s, the global audience has access to growing volumes of geographic media. There are free portals, open to the reinterpretation of their content, aimed at solving navigation problems in small and large cities. They are maps that can be traversed through the use of computers available in various gadgets (tablets, smartphones, smartwatches), and has simple and intuitive handling interfaces. Notably, in the era of Google Maps, planetary space has been mapped and reproduced everywhere through photographs recorded by passers-by, camera-equipped cars (Google Street View), or from aircraft and satellites located miles away from Earth (Google Earth). Nevertheless, the photographic series Deutch Landscapes, of the Belgian artist Mishka Henner, confers to the spectator a provocation. These are photographs that show scenarios where the aerial views of the Google Earth app have dissonances – visual dissensions. There are blurs that denote impediments, and which present a geography that escapes the logic of calculation of cartographic coordinates – the stable criteria of the optical projections that have built since the Renaissance the representation of space in the landscape (pictorial and photographic). Keywords: Google Maps, Landscape Photography, Contemporary Art. 1 Mestre e Doutora em Tecnologias da Comunicação e Cultura (UERJ) - falcaogrecia@gmail.com