5 O novo papel dos estados num mundo sem fronteiras: legalização, criminalização e repressão dos movimentos sociais Matheus Belló Moraes Diogo Mariano Carvalho de Oliveira Introdução Se o sonho de uma “sociedade aberta” já foi imaginado como uma sociedade livre, solidária, democrática e igualitária, hoje essa abertura é, na maioria das vezes, vista temerosamente como evento inaugural de uma sociedade constrangida à submissão por forças incontroláveis e, muitas vezes enigmáticas, que operam dentro das fronteiras dos Estados (BAUMAN, 2008, p. 127). Essa subordinação à forças heterônomas difusas é precisamente o efeito do que podemos denominar globalização negativa, um processo de transformação da conjuntura global que hoje se tornou a causa primeira da injustiça (BAUMAN, 2008, p. 127). Externamente limitado pelo mercado global e sujeitos às suas imposições, o que se espera do poder estatal é a busca por uma mínima estabilidade garantindo um orçamento equilibrado e reprimindo as pressões locais que, cada vez mais estranguladas pelas forças do mercado, exigem maior intervenção do Estado na economia em defesa da população (BAUMAN, 1999, p. 74).