84 10th International Conference on Forensic Computer Science – ICoFCS’15, BRASÍLIA, DF Brasil e Ciberterrorismo: desafios para o Rio 2016 Bruna Toso de Alcântara Resumo— Sendo o país que sediará os jogos olímpicos de 2016 o Brasil possui a responsabilidade de se preparar para que os mesmos se deem de forma segura em território nacional. Assim, questões como o Ciberterrorismo, ainda que pareçam longe da realidade brasileira, devem ser levadas em consideração. Desta forma o presente artigo apresenta os desafios para as quais o Brasil deve atentar em prol de proteger o país durante o grande evento em 2016. Palavras-Chave—Ciberterrorismo, Brasil, Rio 2016. Abstract— Being the country that will host the Olympic Games in 2016, Brazil has the responsibility to prepare itself to guarantee the safety of the games within national territory. Thus, issues such as Cyberterrorism, even though appearing to be far from the Brazilian reality, should be taken into consideration. Therefore, this paper presents the challenges for which Brazil should pay attention for the sake of protecting the country while hosting the big event in 2016. Keywords—Cyberterrorism, Brazil, Rio 2016. I. INTRODUÇÃO Com as organizações terroristas utilizando-se cada vez mais do ciberespaço para espalhar sua narrativa e com o crescente entrelaçamento das Infraestruturas Críticas dos Estados aos meios tecnológicos, o temor do Ciberterrorismo ronda diversos países ao redor do mundo. Contudo, sem uma acordada definição internacional sobre os efeitos e características do que venha a ser esse tipo de terrorismo, proteger-se do mesmo se torna uma tarefa difícil e trabalhosa, que envolve não somente preparação, mas estudos acerca de suas possíveis consequências. Nesse sentido, em que pese o Brasil não tenha atos de terrorismo como uma realidade próxima, enquanto anfitrião dos jogos olímpicos em 2016, ele deve se preparar para possíveis ataques cibernéticos nesse formato. Afinal, se tratando do ciberespaço, não podemos assumir padrões e muito menos que certos países não serão atingidos direta ou indiretamente por ações de terceiros. Assim, o presente artigo se divide em duas partes. A primeira visa elucidar como o país pode entender o termo “Ciberterrorismo” e como esse fenômeno preocupa os países a nível internacional. Já a segunda parte pretende mostrar os desafios para os quais o Brasil, em específico, deve atentar nessa seara e quais as possíveis medidas que podem ajudar a contorná-los. II. CIBERTERRORISMO: ENTENDIMENTO, FORMAS DE ATUAÇÃO E COMBATE. Em que pese o termo Ciberterrorismo tenha aparecido pela primeira vez em um artigo de Barry Collin [1], nos anos 1980, significando o perigo de ataques conduzidos à longa distância (como consequência da interseção entre mundo físico e virtual) e tendo como alvos Infraestruturas Críticas de um país (fazendo com que a população de um país não conseguisse “comer, beber, se locomover, ou viver”) ainda não existe uma definição internacional padrão para esse fenômeno. Assim, o debate acerca das ameaças que o Ciberterrorismo apresenta continua vivo e ganhando cada vez mais relevância. De fato, em estudo conduzido pouco tempo pela Swansea University [2] 36% dos entrevistados admitiram ser muito importante que tomadores de decisão (policymakers) tivessem uma resolução das questões de definição em torno de terrorismo, e 35% marcaram como quase essencial a necessidade de uma definição específica de Ciberterrorismo para os mesmos. Ademais, 87% dos entrevistados considerou como elemento característico do Ciberterrorismo a motivação política e ideológica. Sob esse prisma, talvez, o que possa ser mantido para as análises do Ciberterrorismo seja os quatro motivos clássicos que impulsionam atividades terroristas: 1) terrorista com só um foco (ou seja, a motivação deles vem de um assunto em particular, como os direitos dos animais), 2) terroristas ideológicos (que usam da violência para promover sua ideologia politica, a qual se pauta nos extremos da direita ou da esquerda) 3) terroristas nacionalistas (os quais buscam independência de um dado Estado ou entrar de um Estado para outro por razões étnicas ou geográficas) e 4) terroristas politico religiosos (que podem se tornar letais dado que entendem suas ações como atos sob ordens divinas)[3] Por outro lado, como Awan [4] explica, “dado que tipos de comportamento podem ser ligados a problemas e movimentos sociais, isso nos permite olhar para o Ciberterrorismo através das lentes da mudança social”. Nesse sentido, pensar em motivos nos leva a tentar entender o Ciberterrorismo a nível social, enquanto parte das mudanças que vem ocorrendo desde a Revolução Informacional. Igualmente, se nos basearmos em uma concepção construtivista de mundo - para a qual 1) o mundo é constituído parcialmente por nossas crenças e ideias sobre ele 2) nosso conhecimento de mundo é socialmente construído e mantido, e 3) há uma importante dinâmica de interações entre o mundo das ideias e o das coisas de tal maneira que nossas ideias e realidades sociais são moldadas, reforçadas e impactadas uma na outra- o debate passa a se focar mais em como o conceito é construído e produzido DOI: 10.5769/C2015011 or http://dx.doi.org/10.5769/C2015011