DOSSIÊ A festa do congado diante da salvaguarda: novas contribuições no processo de formação da irmandade Os Carolinos Wanessa Pires Lott* A “festa grande” na construção da irmandade Os Carolinos A Guarda de Congo e Moçambique de Nossa Senhora do Rosário do Sagrado Coração de Jesus, conhecida como irmandade Os Carolinos, foi criada em 1917 e está localizada na antiga Vila Maria da Aparecida, região noroeste da cidade de Belo Horizonte (MG). Com poucos registros escritos para apresentar a irmandade Os Carolinos, opto por utilizar a metodologia da história oral, bem como a análise dos festejos da comunidade. Cabe res- saltar que entendo por metodologia de história oral a metodologia “voltada à produção de narrativas como fontes do conhecimento, mas principalmente do saber” (Delgado, 2003, p. 23). Assim sendo, o escutar de uma história, seja esta real ou imaginária, desperta um desejo de signifcar experiências que só podem ser vividas pela memória (Grossi; Ferreira, 2001). Dessa maneira, na esteira dos relatos da comunidade, percebe-se que a festa é o ponto fundamental para a apresentação da irmandade, pois é, em si, parte do cotidiano dos devotos de Nossa Senhora do Rosário. Ou seja, a festa pode ser percebida como um tempo e um espaço de “exaltação religiosa con- tínua” (Caillois, 2015, p. 17) que se assemelha à vivência dos índios kwakiutls analisados por Mauss: * Professora adjunta da Universidade Federal do Pará (UFPA). E-mail: wanessalott@hotmail.com.