Petrópolis/RJ 30 de novembro e 01 de dezembro de 2017 1 Análise da Produção Científica sobre Empresas Familiares no período de 1961 a 2014 Antonio Carlos Trindade de Moraes Filho Francisco Marcelo Barone Deborah Moraes Zouain Luiz Alexandre Valadão de Souza André Luís Faria Duarte Resumo: O presente artigo faz uma análise da produção científica sobre Empresas Familiares, no Brasil, no período de 1961 a 2014. O trabalho identifica, por meio da metodologia da pesquisa bibliométrica, as estratégias de pesquisa, as técnicas de análise de dados, as abordagens das pesquisas, as temáticas centrais e os autores mais prolíficos, entre outros; em artigos publicados nos eventos EnAnpad, Eneo, 3Es, EnGPR, EnAPG e Simpósio de Gestão da Inovação Tecnológica - e nos periódicos RAC, RAE, Rausp e O&S. Com isso, colabora para traçar um panorama da produção e crescimento do campo. Entre os resultados principais, verificou-se que, as estratégias de pesquisa têm predominância nos Estudos de Caso, as abordagens das pesquisas se concentram mais nas pesquisas qualitativas, os instrumentos de coleta de dados se focam mais nas entrevistas e as técnicas de análise de dados convergem também para a análise de conteúdo. Apesar da área de pesquisa ser recente, os dados evidenciam, o crescimento de estudos e pesquisadores sobre o tema, que tem relevância significativa na economia nacional. Palavras-Chave: Empresas Familiares, produção científica, Bibliometria. 1. Introdução A pesquisa tem inicialmente como proposta, mapear e discutir a produção científica, sobre Empresas Familiares, no Brasil, no período de 1961 a 2014. Esse período foi escolhido para demonstrar a evolução das pesquisas científicas, desde a publicação do primeiro artigo, (DONNELLEY, 1967), principalmente quanto ao seu conceito do que vem a ser uma empresa familiar, em relação a diversas pesquisas publicadas, como pode ser observado em Lima et al. (2013), Cavedon e Ferraz (2003), Andrade, Lima e Antonialli (2006), e Lima, Soares e Souza (2006), bem como, o crescimento vertiginoso das publicações a partir do final dos anos 90. Em relação às pesquisas desenvolvidas sobre empresas familiares, destaca-se o pioneirismo de Christensen, em 1953, e desde então, as publicações têm crescido vertiginosamente. No Brasil, a literatura sobre empresas familiares passou a ter mais relevância entre os anos 90 e início dos anos 2000, com a publicação de livros de consultores, como João Bosco Lodi, Domingos Ricca, Renato Bernhoeft e Werner Bornholdt. O primeiro, em 1978, com Lodi (1978, 1984, 1987), que é tido como o precursor ao abordar diferentes dilemas enfrentados pelas empresas familiares, suas características, conflitos e mudanças. A sua obra representa um minucioso manual de práticas de gestão das empresas familiares. Ricca (1998, 2007) trata da profissionalização da gestão, do uso do planejamento estratégico como uma ferramenta fundamental na gestão da empresa familiar, além da competição entre os membros da família, a tomada de decisão e o trabalho de um executivo de mercado não pertencente à família. Bernhoeft (1987, 1988, 1995, 1999, 2003, 2004) teve como foco principal, o processo de sucessão familiar, com o objetivo de preservar e perpetuar o patrimônio da empresa.