“UM MAL NECESSÁRIO”: UMA DISCUSSÃO SOBRE EUNUCOS NA CHINA IMPERIAL Débora Lopes do Rêgo 1 (Graduanda em História Bacharelado na UFPE) INTRODUÇÃO Eunucos eram homens que haviam se tornado incapazaes de se reproduzirem biologicamente através da mutilação de suas genitálias externas. Sua figura, ainda que pareça exótica, foi uma presença importante em boa parte de sociedades por todo mundo. Foram conhecidos em Roma, na Grécia, no norte da África e através de todo Oriente Médio. No Império Bizantino, tornar-se eunuco era uma forma de atingir e assegurar posições de prestígio dentro da sociedade (RUNCIMAN, 1961). Grande parte dos Patriarcas de Bizâncio eram eunucos, e por toda sua história o império herdeiro de Roma contou com grandes Generais eunucos em sua hierarquia militar, como Narses, que serviu sob o governo de Justiniano I. Na Índia, ajudantes eunucos estiveram presentes junto aos governantes do Grande Império Moghul, e aos marajares dos Estados reais da Índia, mesmo durante a dominação britância no século XX. No entanto, em nenhum outro lugar, a presença dos eunucos foi de uma tradição tão longa e persistente como na China Imperial: durante todo o período que durou o império chinês, os eunucos, juntamente com os funcionários letrados e os militares, constituíram uma parte importante de uma estrutura política que se encontrava responsável por auxiliar o imperador em seu governo: era através da castração que esses homens ganhavam a permissão para trabalhar próximo à família do governante, inicialmente como seus atendentes e assessores pessoais, sem comprometer a sagrada linhagem imperial (BROOK, 2010). Pela lógica, todos concordavam que nenhum outro indivíduo estaria apto para trabalhar tão 1 Este trabalho foi realizado sob a orientação da Profa. Dra. Christine Rufino Dabat, Coordenadora do Grupo de Estudos Sobre História da China, vinculado ao departamento de História da UFPE. Bolsista do Instituto de Estudos da Ásia, UFPE.