CAPÍTULO 6 – MELHORAMENTO DE TERRENOS ARENOSOS Alexandre Duarte Gusmão Universidade de Pernambuco e CEFET/PE gusmao.alex@ig.com.br 6.1. HISTÓRICO A cidades do nordeste do Brasil, especialmente as capitais, têm experimentado um expressivo crescimento do setor imobiliário nos últimos 25 anos. A valorização dos espaços urbanos e a pressão imobiliária têm verticalizado as construções nestas cidades, que são geralmente assentes sobre sedimentos recentes não consolidados. Além disso, algumas cidades possuem subsolos reconhecidamente complexos do ponto de vista geotécnico, como é o caso do Recife (GUSMÃO FILHO et al., 1998). Neste contexto geológico, o subsolo típico é muito variado, o que aumenta a importância da prospecção geotécnica para projetos de fundações, bem como ensaios de laboratório em amostras de solo, ensaios de campo e provas de carga. Além destas medidas, a prática do monitoramento de prédios para o acompanhamento dos recalques ao longo da construção tem sido implementada com resultados bastante satisfatórios. Por tudo isto, a prática atual de fundações no nordeste é fortemente direcionada pelas características geológico-geotécnicas do subsolo, ainda que outros fatores influenciem na escolha e sejam, assim, encontrados diversos tipos de fundação nas cidades. As areias mais superficiais são freqüentemente encontradas com granulometria média a fina, normalmente siltosas a pouco siltosas, e de compacidade fofa a pouco compacta, com a espessura podendo ser bastante variável. Estes depósitos têm sido considerados apropriados para a execução de técnicas de melhoramento com estacas de compactação, elevando a resistência do solo e reduzindo o nível de deformabilidade dos mesmos. A implantação da solução de melhoramento da camada superficial através de estacas de compactação pode viabilizar o uso de fundações superficiais, e reduzir de forma significativa os custos da fundação. O melhoramento possibilita uma elevação da taxa de trabalho do terreno, permitindo uma substancial diminuição nos volumes de escavação e de concreto das fundações projetadas (GUSMÃO FILHO, 1998). O objetivo de melhorar a camada arenosa superficial é assegurar estabilidade à fundação e evitar recalques excessivos que possam trazer danos à obra. Existem várias técnicas para o melhoramento de terrenos arenosos, entre as quais as estacas de compactação. Essa técnica tem sido bastante utilizada em várias cidades nordestinas, tais como Recife, João Pessoa, Aracaju, Natal. Em João Pessoa, 90% das obras de fundações têm sido projetadas em sapatas com melhoramento prévio do solo, através da técnica de compactação com estacas de areia e brita (PASSOS, 2001). A técnica vem sendo utilizada com sucesso em Recife desde a Década de 70. Neste particular, há que se reconhecer a importância do brilhante Engenheiro Dirceu Pereira, fundador da COPEF Fundações Ltda, que introduziu a técnica na região, e começou a projetar e executar as estacas de compactação com base em relações empíricas e na própria experiência acumulada, não havendo, portanto, normalização de procedimentos. Para se ter uma idéia da evolução nesses mais de 30 anos, os primeiros prédios eram projetados com taxas de trabalho de 250 kPa, enquanto hoje já há prédios com mais de 30