Tela preta: feminismo negro e representatividade em videoclipes Black Screen: black feminism and representation in music videos Victória Costa 1 Universidade Federal do Pará Resumo Caminhar por uma cidade cantando a resistência de a ela pertencer, apesar de dizerem o contrário. A beleza negra cantada entre levadas de jazz e batuques em um espaço cuja vista permite ver uma periferia. Trajes excêntricos, batidas eletrônicas e letras ácidas mostram alguém que saber o que quer e como quer. Luedji Luna, Nara Couto, Karol Conká, entre outras, são exemplos do crescente protagonismo da mulher negra em videoclipes brasileiros contemporâneos. Apresentar faces, temáticas e elementos que contém este recorte de gênero e raça alia-se ao contexto em que o empoderamento (palavra que ganhou maior visibilidade nos últimos anos, mas que pode ser aplicada em vários âmbitos, enquanto aceitação de sua condição, indo de encontro a uma subordinação comum) vem ganhando força não somente em movimentos sociais, mas também a nível midiático e estético. Assim, por meio da antropologia da imagem/do cinema, neste artigo venho articular exemplos de videoclipes, onde imagem e som têm equivalente importância pelas mensagens que são capazes de transmitir (conjugada à facilidade na divulgação e no consumo pela internet), ao movimento feminista negro, ao passo em que neste gênero audiovisual esta mulher vem ganhando espaço, sendo ouvida e vista, conquistando representatividade. Palavras-chave: Videoclipe; Feminismo Negro; Raça; Gênero. Abstract Walking through a city singing the resistance of belonging to it, despite saying otherwise. The black beauty sung between jazz leads and batuques in a space whose view is a periphery. Eccentric costumes, electronic beats and acid letters show someone who knows what she wants and how she wants it. Luedji Luna, Nara Couto, Karol Conká, among others, are examples of the growing role of black women in contemporary brazilian music videos. To present faces, thematic and elements that contain this genre and race aspect is allied to the context in which empowerment (a word that gained greater visibility in recent years, but which can be applied in various fields, while accepting its condition, opposing a common subordination) has been gaining strength not only in social movements, but also at the mediatic and aesthetic levels. Thus, through anthropology of image / cinema, in this article I articulate examples of video clips, where image and sound have equivalent importance for the messages they are able to transmit (coupled with the ease of dissemination and consumption on the Internet), the black feminist movement, while in this audiovisual genre this woman has been gaining space, being heard and seen, conquering representativity. Keywords: Music video; Black Feminism; Breed; Genre. 1 Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Antropologia (PPGA) da Universidade Federal do Pará (UFPa) com ênfase em Antropologia Social. Bacharel em Cinema e Audiovisual (UFPA) e Bacharel em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda (UNAMA). E-mail: victoriaetcosta@gmail.com