18 Modernos & Contemporâneos, Campinas, v. 2, n. 4., jul./dez., 2018. Momentos spinozanos em Deleuze... Revista de Filosofa do IFCH da Universidade Estadual de Campinas, v. 2, n. 4., jul./dez., 2018. Momentos spinozanos em Deleuze: potência, direito, noções comuns Mauricio Rocha 1 cawaipe@gmail.com Resumo: A leitura de Deleuze é seminal na formação do “spinozismo político” que, desde o fm dos anos 60, se dá em meio à maré montante de um desejo de transformação social, radical e anticapitalista – atravessando os debates internos ao estruturalismo, à psicanálise e no contexto de variadas referências heterodoxas ao marxismo. Em meados dos anos 70, nos textos escritos com Guattari, a perspectiva apresentada em Spinoza e o problema da expressão deu lugar a novas perspectivas, com ênfase nas relações sócio-políticas baseadas em uma lógica da formação de potências. Aqui examinaremos dois desses “momentos spinozanos” presentes no livro de 1968 sobre Spinoza. Palavras-chave: Deleuze; Spinoza; potência; direito; noções comuns. Abstract: Deleuze’s reading is seminal in the formation of “political spinozismo” which, since the late 1960s, has taken place amidst the tide of a desire for radical, anti-capitalist social transformation - going through the internal debates of structuralism, psychoanalysis and the context of varied heterodox references to Marxism. In the mid-1970s, in the texts written with Guattari, the perspective presented in Spinoza and the problem of expression gave rise to new perspectives, with emphasis on socio-political relations based on a logic of the formation of powers. Here we will examine two of these “Spinozian moments” present in the 1968 book on Spinoza. Keywords: Deleuze; Spinoza; power; law; common notions. Deleuze e o “spinozismo político” A interpretação de Deleuze sobre o Spinoza é seminal na formação do spinozismo político que, desde o fm dos anos 60, se dá em meio à maré montante de um desejo de transformação social, radical e anticapitalista – atravessando os debates internos ao estruturalismo, à psicanálise e no contexto de variadas referências heterodoxas ao marxismo. Uma origem quase mítica de tudo isso é o grupo de leituras sobre Spinoza coordenado por Louis Althusser na ENS de Paris (uma organização “semiclandestina”, mas da qual todos sabiam da existência), além das referências ao “desvio por Spinoza”, como forma de romper com a dialética hegeliana, o historicismo e o humanismo abstrato presentes na recepção e nos usos do flósofo de Trier pela esquerda francesa, sobretudo a do PCF. Para Althusser, o flósofo holandês seria o fundador de um horizonte materialista e estruturalista, e o 1 Professor Dr. da PUC-Rio.