266 Anais do I Encontro de Estética, Literatura e Filosofia ENELF ISSN 2359-2958 MATERIALIDADES DA LITERATURA Matheus de Brito Universidade de Coimbra Resumo: Legados do pós-estruturalismo, os debates sobre a formalização de procedimentos interpretativos e dos pressupostos epistemológicos da Teoria da Literatura não raro assumem feições (ou discursos) de uma crise geral dos estudos literários e das ciências humanas - uma crise em verdade aguçada tanto pelas transformações da experiência social da literatura e das demais artes quanto, por outro lado, pelo desenvolvimento dos novos media de comunicação, os quais cobram novos empreendimentos conceituais. Recentes intenções teóricas, nesse espaço, apresentam-se como vias alternativas e propõem uma transformação paradigmática dos estudos literários pela renovação de seus modelos críticos. Sob o influxo das atuais teorias dos media ou propondo a revisão das abordagens extrínsecas que caíram em descrédito com a emergência da doutrina formalista da imanência, uma dessas intenções investiga a possibilidade de tematizar a literatura sem cair nas insuficiências detectadas pelo pós- estruturalismo na tradicional hermenêutica (diferimento, indecidibilidade, o aprisionamento nos limites do discurso), reaproximando assim a literatura à contemporânea teoria estética. Nossa comunicação consiste em apresentar as Materialidades da Literatura, programa que pesquisa o literário como prática enunciativa realizada em simétrica correlação com seus meios. A apresentação tem três momentos: explicam-se algumas linhas da “crise”; discute-se a problemática dos media nos estudos literários ou o que Sepp Gumbrecht (“Corpo e Forma”,1998) nomeou “Campo Não-Hermenêutico”; apresentam-se, então, as possibilidades deste novo capítulo da teoria crítica da literatura. Convocaremos para tal um pequeno corpus de caráter teórico. Espera-se, no geral, apresentar o problema da interpretação “numa nova chave”. Palavras-chave: Comunicação, Estudos literários, Materialidade, Teoria literária. A Crise dos Estudos Literários Os filósofos se ocuparam de interpretar o mundo, a questão, porém, é mudá-lo.” (Karl Marx) É difícil falar em crise dos estudos literários no contexto brasileiro. A proliferação dos congressos, das revistas, e a reestruturação por que os curricula passam não permite inferir um “problema” com o qual tivéssemos de lidar. O impulso de renovação teorética que se dá na Europa e nos Estados Unidos tem bastante a ver com a vida institucional do conhecimento, com o desinteresse social pelas humanidades, ao qual se soma o excedente de profissionais e as dificuldades do mercado 56 . Embora seja possível prever uma crise institucional concernente 56 O curso de Letras figurava entre os dez cursos menos rentáveis menores salários, maior desemprego dos EUA, conforme a revista Forbes. (Url: http://www.forbes.com/sites/jennagoudreau/2012/10/11/ the-10-worst- college-majors/. Último acesso em 13 Set. 2013)