Explicando o dissenso: uma análise empírica do comportamento judicial do Supremo Tribunal Federal e da Suprema Corte dos Estados Unidos 1 Guilherme da Franca Couto Fernandes de Almeida , José Luiz Nunes e Luciano de 2 3 Oliveira Chaves Filho 4 RESUMO A literatura sobre o dissenso nos tribunais aponta alguns fatores como causas de redução ou aumento da quantidade de votos dissidentes. Um desses fatores – a carga de trabalho – costuma ser considerado um dos mais importantes. Essa hipótese foi corroborada por estudos pregressos, sendo constatada correlação entre essas duas variáveis tanto no STF quanto na Suprema Corte. Percebemos que fatores que receberam menos atenção da literatura, especialmente a existência de diferenças individuais entre os julgadores, parecem afetar mais significativamente a propensão a votos dissidentes do que a carga de trabalho. No presente artigo, reportamos análises quantitativas que corroboram esta afirmação. Considerando que podem haver razões normativas para alterar a coesão de tribunais, é relevante saber qual a maneira mais eficaz de exercer essa manipulação. Os resultados encontrados indicam que a melhor estratégia seria alterar a forma de indicação dos ministros, tendo em vista a personalidade dos escolhidos, e não a carga de trabalho. 1 Uma versão anterior deste artigo foi publicada na Revista de Estudos Institucionais após obter o primeiro lugar no concurso de artigos do III SITI. Uma cópia do conteúdo publicado na revista naquela ocasião pode ser obtida aqui: http://bit.ly/2Ij7Wu6. Após a publicação, novas análises revelaram um erro material grave, que afetava as análises quantitativas envolvendo o Supremo Tribunal Federal. Descobrimos que, ao contrário do que imaginávamos, os dados que utilizamos foram obtidos através de amostra estratificada não proporcional, o que causou a sobrerepresentação de processos com pedidos de vista e, consequentemente, de decisões não unânimes. Para corrigir as análises, utilizamos métodos estatísticos que levavam em consideração essa desproporção, atribuindo peso equivalentes ao inverso do valor amostrado de cada estrato, em particular, aqueles descritos em PASEK, J. weights: weighting and weighted statistics. Pacote de R . 2016. Disponível em: https://CRAN.R-project.org/package=weights. A versão atual, portanto, diverge com relação aos números e omite uma das tabelas constantes da versão original. No restante, porém, as duas versões do artigo são muito semelhantes, sendo mantidas as conclusão gerais após a alteração. 2 Graduado em direito pela UFRJ, mestrando em Teoria do Estado e Direito Constitucional pelo PPGD da PUC-Rio, bolsista do CNPq e pesquisador do Supremo em Números, da FGV Direito Rio.. 3 Graduando em direito pela Escola de Direito do Rio de Janeiro da Fundação Getúlio Vargas. Assistente de Pesquisa do projeto Supremo em Números, da FGV Direito Rio. 4 Graduando em direito pela Escola de Direito do Rio de Janeiro da Fundação Getúlio Vargas. Assistente de Pesquisa do projeto Supremo em Números, da FGV Direito Rio..