Ler Paulo Freire em 2018: Surpresas e Ressonâncias II Seminário Internacional Elogio da Escola Mesa "Paulo Freire na sala de aula " Caroline Jaques Cubas É desnecessário apresentar Paulo Freire, especialmente em um evento cujo assunto é a educação, a escola e o ofício de professor. Desnecessário porque muito dele se fala. Do "patrono da educação brasileira", título conferido em 2012, se conhecem as propostas para alfabetização, a contraposição à educação bancária, a defesa apaixonada de uma educação autônoma e democrática. Organizam-se conferências sobre Paulo Freire. Grupos de trabalho dedicam-se, de forma bastante competente, a ressaltar sua relevância para a educação e, mais especificamente, para a educação no Brasil. Se conhece, igualmente, a trajetória política, marcada pela militância, o encarceramento, o exílio, a filiação ao PT e a atuação como secretário da educação da cidade de São Paulo. Para além da trajetória acima referenciada, o nome de Paulo Freire tem sido evocado, nos últimos tempos, como um "mal a ser combatido" e, neste sentido, é impossível aqui não referendar a amplamente difundida faixa "Chega de doutrinação marxista, basta de Paulo Freire", que pululou nas redes sociais em 2015 e denota o profundo desconhecimento e confusão de grupos, caracterizados por um ignorante (ou mal intencionado) radicalismo, que outorgam-se o direito de reger os princípios da educação no país, ainda que a ela não dediquem mais que uma faixa equivocada ou uma frase de efeito nas redes sociais. A presente exposição vai, no entanto, em outra direção e os eventos acima referenciados corroboram de forma veemente nosso ponto de partida, sintetizado na pergunta seguinte: Apesar da superexposição (muitas vezes indireta) à obra, à trajetória e à representatividade política, o que pode causar-nos a leitura de Paulo Freire em 2018? O que pode acontecer quando professores (em formação) dedicam algum tempo a ler um professor? A pergunta foi transformada em exercício para alunos e alunas da disciplina "História e Educação", ministrada no Departamento de História da FAED/UDESC no primeiro semestre de 2018 e são algumas considerações engendradas por este exercício que trago hoje, para esta conversa.