Revista de Engenharias da Faculdade Salesiana n. 7 (2018) pp. 15-21 http://www.fsma.edu.br/RESA 15 Resumo Conhecer o comportamento dos materiais sob a aªo de esforos mecnicos Ø uma competŒncia que precisa ser desenvolvida nos estudantes de Engenharia Civil. Todavia, essa construªo conceitual precisa ser vivenciada, ao invØs de ser ensinada usando apenas a aula expositiva. Nessa perspectiva, os discentes da Universidade Federal do Recncavo da Bahia (UFRB) foram desafiados a aumentar a resistŒncia  traªo, de matrizes em solo-cimento, por meio da utilizaªo de fibras. Para superar o desafio, os discentes, moldaram corpos de prova prismÆticos (40mmx40mmx160mm) utilizando um solo aleatrio residual do tipo grosso, encontrado no prprio campus da UFRB e cimento Portland CP II F  40. Foram moldados corpos de prova sem reforo e reforados com um tipo de fibra de material polimØrico, fita PET. Os resultados demonstraram que a inserªo da fita aumenta a resistŒncia  traªo na flexªo da matriz solo- cimento em atØ 39%, em relaªo a matriz nªo reforada. Palavras-chave  inovaıes tecnolgicas sustentÆveis; solo- cimento; fita PET; ganho de resistŒncia. PET Tape Reinforced Soil-Cement Matrix Abstract- All civil engineering students need to know the behavior of materials under mechanical efforts. Nevertheless, this conceptual construction needs a practical application, instead of being taught exclusively in theoretical classes. Hence, the students at the Universidade Federal do Recncavo da Bahia (UFRB) were chalenged to increase traction resistance in soil-cement matrices by adding fibers. In order to overcome the challenge, the students shaped prismatic proof bodies (40mmx40mmx160mm) using random thick-type residual soil found at the UFRB campus and CP II F-40 Portland cement. They shaped proof bodies without reinforcement and reinforced with a polimeric material (PET tape). We found that including the tape increases resistance to traction in the soil- cement matrix up to 39% compared to the non reinforced matrix. Keywords- sustainable technological inovation; soil-cement; PET tape; resistance gain Cleidson Carneiro Guimarªes Ø Engenheiro Civil pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), Mestre em Ensino, Filosofia e Histria das CiŒncias (UFBA/UEFS), Mestre em Engenharia Civil e Ambiental (UEFS). Professor de Materiais de Construªo na Universidade Federal do Recncavo da Bahia Cruz das Almas/BA - Brasil (e-mail: cleidsonguimaraes@ufrb.edu.br). Diogo Alex Santos de Andrade Ø Bacharel em CiŒncias Exatas e Tecnolgicas pela Universidade Federal do Recncavo da Bahia, acadŒmico do curso de Engenharia Civil da Universidade Federal do Recncavo da Bahia  Cruz das Almas/BA - Brasil (e-mail: diogoalexsa@gmail.com). Paulo Victor Lopes da Silva Ø acadŒmico do curso de bacharelado em ciŒncias exatas e tecnolgicas da Universidade Federal do Recncavo da Bahia - Cruz das Almas/BA - Brasil (e-mail: victor_lopes18@hotmail.com). Tarcisio de Souza Sapucaia Ø acadŒmico do curso de bacharelado em ciŒncias exatas e tecnolgicas da Universidade Federal do Recncavo da Bahia - Cruz das Almas/BA - Brasil (e-mail: tarcisiosapucaia27@gmail.com). I. INTRODU˙ˆO Engenheiro Civil precisa conhecer o comportamento de diferentes materiais quando submetidos aos esforos mecnicos. As reaıes internas e os esforos mecnicos externos, refletem os tipos de interaıes eletrostÆticas estabelecidas entre os diferentes Ætomos e ons que constituem o material. Os materiais cermicos possuem ligaıes qumicas predominantemente inicas. Esses materiais quando submetidos a esforos de traªo, rompem bruscamente, com pequenas deformaıes, quando comparados aos materiais metÆlicos, por exemplo. Em oposiªo aos cermicos, os materiais metÆlicos sªo maleÆveis e dœcteis. Essa propriedade estÆ associada  formaªo de ligaıes qumicas nªo direcionais e que permitem o deslocamento dos pseudo cÆtions na nuvem eletrnica livre, quando submetidos a esforos de traªo. O comportamento mecnico dos materiais metÆlicos, frequentemente, apresenta-se em fases: fase elÆstica, caracterizada por apresentar a recuperaªo das deformaıes aps cancelar os esforos de traªo; fase de escoamento, quando o metal perpetua sua deformaªo permanecendo os esforos nulo ou constante; fase plÆstica, apresentada pela mudana irreversvel na deformaªo do metal; e a fase de ruptura, na qual as ligaıes intermoleculares nªo suportam mais os esforos e comea  aparecer as primeiras fissuras que indicando o possvel rompimento do metal [1]. os materiais plÆsticos apresentam ligaıes intermoleculares mais frÆgeis do que as interaıes intramoleculares. Consequentemente, os esforos mecnicos deslocam as ligaıes mais dØbeis, ou seja, desloca uma molØcula em relaªo s outras. Desse modelo, destaca-se que os materiais plÆsticos apresentam elevadas deformaıes quando submetidos a esforos de traªo [1]. Existem diferentes materiais plÆsticos. Geralmente, quanto maior a cadeia molecular, maior a fora de interaªo e maiores as deformaıes quando submetidos  traªo, em decorrŒncia do maior deslizamento das molØculas entre si. Outros materiais, de comportamento plÆstico, podem atØ nªo ser constituda por molØculas orgnicas, mas frequentemente, a ruptura do material resulta na separaªo de ligaıes entre as molØculas [1]. Os materiais caracterizados como frÆgeis possuem elevada resistŒncia  compressªo e baixa resistŒncia  traªo. Os materiais metÆlicos possuem comportamento oposto aos frÆgeis. Cleidson C. Guimarªes, Diogo A. S. Andrade, Paulo V. L. da Silva, Tarcisio de S. Sapucaia Matriz de solo-cimento reforada com fita PET O