Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XXXVIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Rio de Janeiro, RJ – 4 a 7/9/2015 A Educação a Distância (EaD) e a Reconfiguração (Ciber)Espaço Educacional: do Tradicionalismo à Reescolarização 1 Marcelo SABBATINI 2 Universidade Federal de Pernambuco, PE Resumo Buscando investigar novas abordagens na compreensão da EaD, mais além das teorias clássicas, analisamos na literatura científica do campo a reconfiguração do processo educativo, em função do impacto tecnológico. Além da mudança de paradigma, o corpo de análise acena para uma ruptura com uma concepção tradicionalista, marcada pela presença das instituições formais e pela mera transposição de práticas da educação presencial. Por outro lado, também aponta que os novos horizontes passam não pela desescolarização, segundo a crítica radical, mas por uma reestruturação do espaço escolar, com a emergência de uma práxis fundamentada na aprendizagem em rede e no conectivismo, dos quais as “redes de aprendizagem” e da “convivialidade” são antecessores e que visa, em contraposição à lógica de mercado, alcançar o potencial emancipador da educação. Palavras-chave: educação a distância; desescolarização; tradicionalismo; convivialidade; espaço escolar. Introdução Avançados já uma década e meia no século XXI, é inegável que as tecnologias digitais de informação e comunicação permeiam a base da vida humana. Contudo, um campo específico de nossa existência parece ser ainda o palco de conflitos e de tensões, quando consideramos o que poderíamos chamar, genericamente, de educação a distância (EaD) 3 . Entre a fetichização da tecnologia, ou mesmo uma espécie de “amnésia” que marca 1 Trabalho apresentado no GP Comunicação e Educação do XV Encontro dos Grupos de Pesquisa em Comunicação, evento componente do XXXVIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. 2 Doutor em Teoria e História da Educação, Mestre em Comunicação Social, Máster em Ciência, Tecnologia e Sociedade: Comunicação e Cultura. Professor do Centro de Educação e do Programa de Pós-Graduação em Educação Matemática e Tecnológica – EDUMATEC (UFPE), email: marcelo.sabbatini@pq.cnpq.br. 3 Como nota Almeida (2003, p. 332), “educação on line, educação a distância e e-learning são termos usuais da área, porém não são congruentes entre si”. Enquanto a educação a distância se caracterizaria pela separação entre professor e aluno, podendo ser mediada através de diferentes tecnologias, a educação on line usaria primariamente a Internet como meio de interação. Finalmente, o e-learning, na definição desta autora, seria característica do treinamento e desenvolvimento organizacional. Logicamente, esta classificação não é única em um campo de estudo e pesquisa relativamente novo e pouco consolidado onde a cada dia surgem novas terminologias, como por exemplo, m-learing (mobile learning mediada através de dispositivos móveis, leia-se telefones celulares), b-learing (blended leanring, ambientes mesclados entre o real e o virtual), t-learning (television learning, através da televisão, com acentuado interesse para o surgimento da televisão digital interativa), “sala de aula invertida”, “traga seu próprio aparelho” Entretanto, para nós, a partir da perspectiva pedagógica, o grande questionamento é: qual a especificidade de cada uma destas modalidades para o processo educativo? 1