III CONGRESSO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA POLÍTICA, GEOPOLÍTICA E GESTÃO DO TERRITÓRIO: INTERFACES, PLURALIDADE E RENOVAÇÃO DE UM CAMPO Juliana Nunes Rodrigues¹ Licio Caetano do Rego Monteiro² Coordenadores Gerais do III CONGEO ¹UFF - Universidade Federal Fluminense (Niterói/RJ) ² UFF - Universidade Federal Fluminense (Angra dos Reis/RJ) A terceira edição do Congresso Brasileiro de Geografia Política, Geopolítica e Gestão do Território (III CONGEO) consolidou o evento como um espaço privilegiado para a visibilidade e o debate acerca da ampliação temática e teórico-metodológica existente na agenda da Geografia Política que se faz hoje no Brasil. Essa ampliação passa também por diálogos interdisciplinares, diferentes áreas de atuação profissional, bem como por conexões acadêmicas nacionais e internacionais. Este texto de apresentação à edição da Revista Brasileira de Geografia dedicada ao evento tem por objetivo explicitar as interfaces, a pluralidade e o processo de renovação do campo, além de tecer um balanço preliminar do evento, realizado entre os dias 10 e 14 de setembro de 2018, na Universidade Federal Fluminense, em Niterói. Espaços institucionais, malha político-administrativa e a geografia política dos governos constituíram temas clássicos de um campo que se dedica ao estudo das relações entre espaço e poder político. O histórico da Geografia Política é originalmente associado ao processo de forma- ção dos Estados Modernos - suas fronteiras, desenhos e formatos constituíram objetos de análise clássicos da disciplina (MACHADO, 1991; COSTA, 1992; CASTRO, 2005). Destacaram-se, tam- bém, as condições de povoamento, a capital, a nação e seu território, a relação popula- ção/recursos, a posição geográfica - temas caros ao ambiente político e intelectual da época, privi- legiados não apenas pela Geografia Política, mas que estiveram no cerne da própria Geografia e de outras ciências humanas e sociais. Com efeito, tais temáticas estiveram vinculadas ao contexto de institucionalização acadêmica da disciplina, acompanhando o processo de consolidação dos Estados nacionais. As críticas direcionadas ao excesso de formalismo de uma Geografia Política de Estado e à fixidez temática e escalar – dada a proeminência da escala do território nacional nas aborda- gens - acabaram, por sua vez, por abrir um campo de discussões ampliado acerca dos fenômenos