Política secular e intolerância religiosa na disputa eleitoral EDUARDO DULLO 1 No dia 13 de setembro de 2012, a menos de um mês da eleição para prefei- to, a Arquidiocese de São Paulo publica em seu site e divulga aos meios de comunicação uma “Nota de repúdio” a um texto escrito por Marcos Perei- ra, coordenador da campanha do candidato Celso Russomanno, do Partido Republicano Brasileiro (PRB). Naquele momento, segundo as pesquisas 2 , o candidato do PRB possuía 35% das intenções de voto, sendo o primeiro da lista. O segundo colocado era José Serra, do PSDB, com 19%, e em terceiro, Fernando Haddad, do PT, com 15%. Celso Russomanno aparecia como uma grande surpresa, com um avanço inesperado mesmo para os membros de seu próprio partido. A possível eleição de Celso Russomanno para prefeito da maior cidade brasileira era vista pelos adversários como uma ameaça iminente. De acordo com Abreu (2013), a ameaça em um futuro próximo inverte a relação de causalidade, fazendo com que a indeterminação do futuro opere como causa do presente. Esse parece ser o caso na disputa eleitoral, a partir do prognóstico de vitória divulgado pelos meios de comunicação com base nas pesquisas de intenção de voto. 1 Agradeço as sugestões de Regina Novaes, de Diana Lima, de Evandro Bonfim e de Paula Montero a uma versão anterior deste texto. 2 Disponível em: <http://www.estadao.com.br/noticias/politica,crescimento-de-russomanno-e- -homogeneo-aponta-diretora-do-ibope,930608,0.htm>. Religiões e controvérsias Final.indd 27 Religiões e controvérsias Final.indd 27 18/08/2015 17:55:08 18/08/2015 17:55:08