NAVEGANDO NO ENTRE DAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO E SERVIÇO DE SAÚDE: UMA CARTA NÁUTICA DOS (DES)ENCONTROS R OSANA A PARECIDA G ARCIA S ÉRGIO R ESENDE C ARVALHO 219 O desejo de escrever as experiências vivenciadas durante o percurso da gestão em Unidades Básicas de Saúde (UBS) e relacionadas aos (des)encontros entre as pessoas que representam as instituições de ensino — docentes e alunos e os serviços de saúde — gestores, traba- lhadores da saúde e usuários, motivou-me a registrar esses momen- tos. . . Momentos felizes, alegres, momentos de conflito, de embates. . . Momentos que optei sentir colando meu barco ao mar e convidando pessoas a navegar comigo. Navegando e aceitando também convites de outras pessoas para navegar em seus barquinhos. Meu desafio era fazer um movimento que ousasse ir além das formas, explorando o entre, o além, e o através dos textos, na tentativa de cartografar as linhas de força e produção de subjetividades desses (des)en- contros e, para alcançá-lo, precisei colocar-me em análise como pes- quisadora implicada. Esse movimento não foi fácil, dada a imersão que eu vivenciava nessas experiências, muitas vezes sendo capturada e não me permitindo um olhar ampliado sobre o objeto. A partir de determinados princípios ético-políticos busquei orientar meu trabalho fazendo escolhas teóricas, metodológicas. Alguns concei- tos-ferramentas — conceitos que estão cheio de força crítica, capazes de produzir crises e desestabilizar o instituído (Barros & Passos, 2000, p. 77) — auxiliaram-me na (co)produção desse conhecimento. Comparti- lhei, neste trabalho, com as discussões feitas por Pacheco (2008), que afirma que as metodologias hegemônicas, tendem a considerar que o campo de pesquisa apresenta “dados” — realidades dadas, e exige-se do