Conceitos fundamentais dos estudos migratórios e a comunicação intercultural 1 Otávio Cezarini Ávila 2 UFRJ Resumo: Este artigo traz alguns dos principais conceitos utilizados na teoria das migrações a respeito do encontro entre culturas e os modos como eles são utilizados por diferentes compreensões sobre o fenômeno. De forma descritiva, iniciando por conceitos primordiais advindos da Escola de Chicago, o texto chega à psicologia social e dá enfoque à comunicação intercultural para encontrar o termo interação como processo preferencial a este encontro entre diferentes culturas. O intuito do artigo é estabelecer um diálogo inicial e primordial dos conceitos-chave para a compreensão da migração transnacional dentro da teoria da comunicação em sua interface com a cultura. Palavras-chave: Interculturalidade; Imigração; Integração Introdução Este texto pretende reunir alguns conceitos-chave sobre a temática migratória a fim de aproximar ao que se tem construído acerca da teoria a respeito da comunicação intercultural, enquanto categoria de análise da teoria da comunicação. A comunicação se apresenta como uma ciência social que se debruça sobre a relação entre indivíduos ou grupos em diálogo. Mais do que a mensagem empreendida e o impacto desta na audiência, como anunciavam as teorias de comunicação do início do século XX, o objeto revelado está no nível relacional, o “entre” originário que dá força ao “comum” e onde se dá a própria gênese do homem. Só somos porque estamos abertos ao mundo e com ele nos comunicamos, relacionamo-nos e vinculamo-nos. Esta perspectiva da comunicação se conecta aos estudos migratórios pela capacidade dos encontros incutidos pelos movimentos de pessoas. Por isso, alguns conceitos que explicam as transformações individuais e grupais estudadas na teoria e promovidas pelas práticas migrantes são fundamentais serem entendidas, diferenciadas e contextualizadas, tais como a assimilação, aculturação, integração, interculturalidade e o próprio estrangeiro, termo pelo qual começamos porque ele caracteriza o homem como sujeito do fenômeno migratório. Sem o indivíduo não há migração, fluxo, deslocamento. E é levando-o em conta na centralidade analítica que se pode chegar a aspectos subjetivos do tema da migração, fundamental aos estudos comunicacionais aqui empreendidos. 1 Artigo apresentado no Simpósio CULT-12 Migrações transnacionais e comunicação intercultural: as práticas sociais e seu valor simbólico, no VI Congresso Internacional do Núcleo de Estudos das Américas, realizado entre os dias 27 a 31 de agosto de 2018, na Universidade Estadual do Rio de Janeiro. 2 Doutorando em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Bolsista CAPES. E-mail: ota_cez@hotmail.com.