Montedor, de J. Rentes de Carvalho
Romance clássico moderno
Carlos Nogueira
Universidade de Vigo
Afer four decades of literary recognition in Holland, where he lived and was a
professor of Portuguese Literature, the Portuguese author J. Rentes de Carvalho
(born in Vila Nova de Gaia, 1930) was almost completely ignored in Portugal
until about fve years ago. Today he is read and valued in Portuguese literary
journalism, but academic studies of his work are rare. Tis article analyzes the
author’s frst novel, Montedor (1968), which combines traditional and modern
elements, and is regarded as one of the great works of Portuguese literature. In
particular, we will see how the novel presents a special type of pícaro (rogue), to
whose distinctive and hyperactive consciousness the reader gains access through
the narrative technique of stream of consciousness.
Keywords: Montedor, J. Rentes de Carvalho, Portugal, novel, tradition,
modernity.
Montedor, de 1968, é o primeiro romance publicado por J. Rentes de Carvalho
(Vila Nova de Gaia, 1930), que, três anos depois, dá a conhecer O Rebate (1971)
e, em 1984, Sétima Onda (que saiu na Holanda em 1983, antes do original em
língua portuguesa). Em fnais da década de 90, como nota o próprio autor, “por
cuidado do generoso Leonardo Freitas, foram publicados em Portugal cinco ro-
mances meus”, mas “Ninguém deu por eles” (Carvalho, 2013, p. 21). Apesar do
sucesso da sua escrita nos Países Baixos, J. Rentes de Carvalho apenas começa a
ser mais lido e respeitado em Portugal sensivelmente a partir de 2009, com a pu-
blicação de Com os Holandeses (crónicas; primeira edição, na Holanda, em 1972)
e Ernestina (primeira edição, em neerlandês, em 1998) na Quetzal, que assumiu
a edição portuguesa das obras deste escritor. O Grande Prémio de Literatura
Biográfca 2010/2011 e o Grande Prémio da Crónica 2011/2012, atribuídos pela
Associação Portuguesa de Escritores (APE) ao diário Tempo Contado e a Mazagran
–Recordações & Outras Fantasias, vêm confrmar a mudança de atitude da crítica e
Revue Romane 51:1 (2016), 147–162. doi 10.1075/rro.51.1.06nog
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