8 º CONGRESSO LUSO-BRASILEIRO PARA O PLANEAMENTO URBANO, REGIONAL, INTEGRADO E SUSTENTÁVEL (PLURIS 2018) Cidades e Territórios - Desenvolvimento, atratividade e novos desafios Coimbra Portugal, 24, 25 e 26 de outubro de 2018 ANÁLISE DE MICROCLIMAS URBANOS ORIENTADA À MITIGAÇÃO DE ILHAS DE CALOR EM ÁREAS DE COMÉRCIO LOCAL DO PLANO PILOTO DE BRASÍLIA-BRASIL D. R. Werneck, M. A. B. Romero RESUMO Este estudo analisa estratégias de mitigação de ICU em áreas de comércio local do Plano Piloto de Brasília Brasil. Os procedimentos metodológicos se baseiam em revisão de literatura, análise de sombreamento com o programa Ecotect 5.5, análise relação W/H e simulação microclimática com o programa ENVI-met 4.2 Três cenários de mitigação foram simulados com uso de materiais frios e vegetação para análise de impacto na temperatura do ar, temperatura de superfície e temperatura média radiante. Os resultados mostraram uma redução média máxima de -0,38 °C na temperatura do ar, evidenciando que as estratégias mitigadoras tiveram maior impacto na redução pontual da temperatura do ar que, foi de no máximo -1,13 °C. A estratégia que combinou pavimentos frios e sombreamento com arborização respondeu melhor à variação da temperatura média radiante. Já o cenário com coberturas frias teve um impacto muito pequeno na redução da temperatura do ar no nível do pedestre nas condições analisadas. 1 INTRODUÇÃO Os padrões de desenvolvimento urbano produzem impactos relacionados ao clima urbano, destacando o fenômeno de ilha de calor urbana (ICU) que se caracteriza por áreas urbanas mais aquecidas que a vizinhança menos urbanizada e rural (LOMBARDO, 1985; GARTLAND, 2010; STEWART e OKE, 2012). As propriedades térmicas dos materiais juntamente com características da malha urbana como rugosidade, geometria, impermeabilização do solo e a ação antropogênica contribuem para alterações no clima local em direção de uma condição climática potencialmente mais quente. O fenômeno pode ser observado na superfície e na atmosfera urbana e seus efeitos negativos incluem baixa qualidade do ar, aumento consumo de energia para resfriamento das edificações, doenças respiratórias e baixa produtividade (GARTLAND, 2010). Em Brasília, Baptista (2010) analisou a evolução da temperatura utilizando técnicas de sensoriamento remoto por meio de imagens termais de satélite entre os anos de 1984 e 2001. O pesquisador observou na comparação desses anos um aumento médio de 2°C da temperatura de superfície e salientou que a relação entre o aumento de temperatura e o crescimento urbano é verificada em diversas áreas. Vianna e Romero (2016) também utilizaram o sensoriamento remoto para analisar a formação de ICU em Brasília por meio de uma análise quantitativa com gráficos de temperatura da superfície urbana e correlacionaram qualitativamente com as atividades humanas e uso do solo, enfatizando a necessidade de estudos individualizados para as cidades.