DISSIDÊNCIA ADVENTISTA: QUAL SUA ORIGEM E LINHA DE PENSAMENTO? Por Ribamar Diniz O editorial e a matéria de capa que Marcos de Benedicto escreveu com Márcio Tonetti recentemente na Revista Adventista 1 analisam um dos mais sérios problemas eclesiásticos de nosso tempo, em fileiras adventistas e fora delas. O excelente material motivou-me a escrever essa breve reflexão a respeito da origem do pensamento e ações dissidentes que assolam comunidades religiosas a muito tempo. Pelo fato de a Igreja Adventista do Sétimo Dia está inserida nesse contexto, sobretudo na última década, com a popularização da internet e o advento das redes sociais, nosso foco é esse grupo religioso, embora o conteúdo possa ter uma aplicação mais ampla, sendo útil para outros irmãos em Cristo. O problema da dissidência teve início no céu com a queda de Lúcifer. Os dois textos clássicos sobre a origem do pecado demonstram que uma de suas consequências foi justamente a dissidência. O mal surgiu com a mais exaltada das criaturas de Deus 2 (Ver Ezequiel 28:14). O profeta Isaías descreve a sua queda, declarando que Lúcifer dizia no coração: “Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono e no monte da congregação me assentarei...serei semelhante ao Altíssi mo.” (Is 14:13-14). Embora tivesse uma exaltada e privilegiada posição junto a Deus e os anjos, Lúcifer queria mais, sendo consumido pela cobiça e desejo de exaltação própria, que ocasionou sua queda. “O orgulho é a essência do pecado e representa um egocentrismo que está na raiz de todas as ações pecaminosas.” 3 Tanto o primeiro dissidente como os atuais são dominados pelo orgulho e egocentrismo, embora geralmente não reconheçam ou estejam cegos a respeito. Tanto Isaías como Ezequiel apresentam os motivos e as ações desse primeiro dissidente do governo divino. Ezequiel destaca suas ações. “Na multiplicação do teu comércio, se encheu o teu interior de violência, e pecaste...pela multidão das tuas iniquidades, pela injustiça do teu comércio, profa naste os teus santuários.” (Ezequiel 28:16, 18). Segundo a Bíblia Andrews, o termo “comércio”, na passagem, significa literalmente “andar de um negócio para o outro, seja em bens ou palavras (difamação), pois o querubim da guarda difamava a Deus, acusando-o de injustiça. A difamação cresceu e se transformou em rebelião violenta (Ap 12:7,8). Ellen White, no livro O Grande Conflito, explica melhor o que aconteceu: “Deixando seu lugar na presença imediata de Deus, saiu a espalhar o espírito de descontentamento entre os anjos. Operando em misterioso segredo, e escondendo durante algum tempo o seu intuito real sob o disfarce de reverência a Deus, esforçou-se por suscitar o desgosto em relação às leis que governavam os seres celestiais, insinuando que elas impunham uma restrição desnecessária. Visto serem de natureza santa, insistia em que os anjos obedecessem aos ditames de sua própria vontade. Procurou arregimentar as simpatias em seu favor, propalando que Deus os tratara injustamente ao conferir honra suprema a Cristo. Alegrava que, anelando maior poder e honra, não pretendia a exaltação própria, mas procurava conseguir liberdade para todos os habitantes do Céu, a fim de pôr esse meio poderem alcançar condição mais elevadas de existência.” 4 O pensamento e a atitude de Lúcifer revelado nessa citação, parece ser o padrão dos dissidentes atuais, que acabam, por seu espírito belicoso, afastando-se da comunhão com Cristo; espalhando nas redes sociais e em outras plataformas boatos, críticas e calunias contra a igreja; ocultando suas intenções (alguns querem fama, outros vingança, posição e alguns até dinheiro da igreja). Com a justificativa de estarem purificando a igreja e servindo de Deus, sua obra apenas afasta os membros da Igreja dos princípios bíblicos e escandalizam outras pessoas interessadas na verdade. O dissidente, quase sempre se sente injustiçado, se apresenta como exemplo de humildade e piedade cristã e promete libertar os membros de um sistema opressor. 5 Infelizmente, como transparece na citação acima e no meu comentário, dissidentes, consciente ou inconscientemente, seguem a mesma linha de pensamento e os mesmos passos do arqui-inimigo de Deus. A nova dissidência 6 é tão antiga como seu originador: o diabo. O que tem mudado são apenas os atores e os métodos nessa luta perdida contra Deus e Seu governo. Que o Senhor nos guarde de levantar a voz, a pena ou o mouse contra “a Igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade (1 Tm 3:15).