Nascentes Fólio – Revista de Letras Vitória da Conquista v. 3, n. 2 p. 303-318 jul./dez. 2011 UMA EXCURSÃO MILAGROSA NO PAÍS DAS QUIMERAS: UMA BREVE ANÁLISE DO FANTÁSTICO EM CONTOS MACHADIANOS Helder Santos Rocha * Valdira Meira Cardoso de Souza ** RESUMO: Este texto pretende demonstrar uma breve análise literária dos contos O País das Quimeras (1862) e Uma excursão milagrosa (1866) de Machado de Assis, sob a luz dos estudos sobre o gênero fantástico de Todorov (1975) e Furtado (1980), produzindo, também, um breve cotejamento acerca das semelhanças e diferenças encontradas nestes dois contos machadianos, sobretudo pontuando algumas modificações relevantes na reescritura desta narrativa. Por fim, procura-se confrontar alguns estudos sobre a crítica social e a intertextualidade nos contos abordados, buscando compreender pontos críticos da narrativa machadiana que evidenciem a função transgressiva do gênero fantástico. PALAVRAS-CHAVE: Crítica social; Fantástico; Função transgressiva; Intertextualidade. “Quem não há de ir ver as cousas com os próprios olhos da cara, diverte-se ao menos em vê-las com os da imaginação, muito mais vivos e penetrantes.” Machado de Assis Considerações iniciais Com o intuito de produzir uma breve leitura analítica do conto Uma excursão milagrosa de Machado de Assis, publicado no ―Jornal das Famílias‖ em duas edições no ano de 1866, e produzindo, pari passu, um cotejo com a sua primeira versão intitulada O * Graduando em Letras Vernáculas pela UESB. ** Doutora em Letras pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Professora de Literatura Brasileira do DELL/UESB.